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A Specialized acabou de anunciar a Tarmac SL9 S-Level. Eu fui no site conferir do que se tratava e a primeira coisa que apareceu foi o preço das duas versões, uma do lado da outra.

A S-Works com SRAM RED AXS está anunciada por R$ 139.990,00 e a S-Level, com esse mesmo SRAM RED AXS, está por R$ 104.990,00.

Trinta e cinco mil reais separam uma da outra. Dá para comprar uma segunda bike de estrada com esse “troco”. Na balança, a diferença é bem menor: 500 gramas no tamanho 56. Menos do que uma garrafinha cheia no quadro.

A Specialized chama a S-Works de bicicleta de estrada mais rápida já feita. E chama a S-Level de segunda mais rápida do mundo. As duas frases são da própria marca, então o que sobra para nós é a parte prática: o que exatamente muda de uma para a outra e se esse pacote de mudanças vale trinta e cinco mil reais.

Ficha técnica das duas bikes na mão. Simbooora!

Conteúdo da 66ª edição:

  1. O que é a S-Level e por que ela é inédita na Tarmac;

  2. O que é exatamente igual nas duas bikes;

  3. As cinco diferenças que a Specialized cobra;

  4. A conta dos 500 gramas;

  5. Para quem cada uma faz sentido;

  6. O que aconteceu na TriboTT;

  7. Cupons da TriboTT.

O que é a S-Level e por que ela é inédita na Tarmac

Quando a Tarmac SL9 foi lançada em junho, antes do Tour de France, ela veio sozinha. Existia uma versão só, a S-Works. Quem quisesse a bike do lançamento, teria que pagar o preço do modelo topo do linha.

Agora, a Specialized completou a linha com três novos níveis: S-Level, Expert e Comp. Todos usam o quadro de carbono FACT 10r no lugar do FACT 12r, que é exclusivo da S-Works.

O nome S-Level não é uma invenção de agora. Ele estreou em maio na Crux, a bike de gravel da marca. Agora chega à Tarmac substituindo o antigo nível Pro.

Aqui está a novidade de verdade. O Pro sempre foi uma bike de meio de tabela em dois sentidos ao mesmo tempo: quadro um degrau abaixo do topo e peças um degrau abaixo do topo. A S-Level quebra essa regra. Ela mantém o quadro no segundo degrau, mas coloca algumas peças no primeiro. Grupo de topo, cockpit de topo, medidor de potência de série.

Só existem duas configurações de S-Level: SRAM RED AXS ou Shimano Dura-Ace Di2. Não tem versão com grupo intermediário. Se você quiser gastar menos, a conversa muda para Expert ou Comp, que já vêm com grupos mais simples.

O que é exatamente igual nas duas bikes

Essa é a parte que costuma surpreender quem só olha o preço.

O formato do quadro é idêntico. Mesmos tubos, mesma geometria, mesmo tubo de direção Speed Sniffer que reduziu a área frontal em 10%, mesmo Win Fin na traseira, mesmo garfo Flow Fork. A Specialized é bem direta sobre isso: as duas versões compartilham forma, geometria e objetivos de pilotagem, mudando apenas o material e a laminação do carbono.

Ou seja, a aerodinâmica do quadro é a mesma. Os 4 watts que a SL9 economiza em relação à SL8 a 45 km/h estão nas duas bikes.

O garfo também é o mesmo. A S-Level vem com o garfo FACT 12r, o carbono mais nobre da casa, exatamente como a S-Works.

O cockpit é o mesmo. As duas usam o Roval Rapide integrado, aquela peça única de guidão e mesa que deixa toda a fiação escondida.

Os pneus são os mesmos. Cotton TLR 700x30 nas duas.

E o grupo é o mesmo. Na configuração SRAM, as duas vêm com RED AXS E1 e medidor de potência Quarq já instalado.

As cinco diferenças que a Specialized cobra

1. O carbono do quadro

A S-Works usa o FACT 12r, que leva mais fibras de alto módulo e resulta em um quadro de 687 gramas no tamanho 56. A S-Level usa o FACT 10r, com mais fibras de módulo intermediário, chegando a 822 gramas no mesmo tamanho.

São 135 gramas de diferença. A Specialized afirma que os dois níveis entregam a mesma rigidez e a mesma absorção de vibração, mudando só o peso.

2. As rodas

A S-Works vem com o par Roval Rapide CLX III. A S-Level vem com o Roval Rapide CL III.

O nome parece quase igual, mas a construção não é. As duas têm a mesma profundidade de aro, 51 mm na frente e 48,5 mm atrás, só que a CLX III usa raios de carbono da ARRIS com terminais de titânio e cubos com rolamentos cerâmicos Sinc. A CL III usa cubo DT350 com raios de aço DT Swiss Competition Race.

Essa é, de longe, a troca de peça mais cara da lista.

Só para você ter uma noção: o par Roval Rapide CLX III custa R$ 29.880,00, enquanto que o par de Roval Rapide CL III custa R$ 16.190,00, ou seja, quase metade do preço.

3. O canote do selim

A S-Works estreou um canote novo, o S-Works Rapide Post, que foi apresentado no lançamento de junho como peça aerodinâmica. Ele tem um perfil mais fino e mais profundo, desenhado para organizar o ar que passa entre as pernas do ciclista, reduzindo a turbulência.

A S-Level não recebeu esse canote. Ela vem com o canote de carbono da S-Works Tarmac SL8, que é o modelo da geração anterior.

4. O selim

Na S-Works o selim é o S-Works Power com Mirror. Na S-Level é o Power Pro com Mirror, com trilhos de titânio vazado.

Os dois usam a tecnologia Mirror, aquela estrutura impressa em 3D que parece uma colmeia por dentro. O formato, a largura e o desenho da concha são os mesmos. A diferença está no material dos trilhos e no peso final da peça.

5. Os rolamentos

A S-Works vem com CeramicSpeed na caixa de direção e no movimento central. A S-Level vem com rolamentos de aço padrão e movimento central SRAM DUB BSA 68.

Rolamento cerâmico reduz atrito e ganha alguns watts em laboratório. Também custa caro e exige uma maior manutenção. É o tipo de peça que faz diferença para quem disputa segundo a segundo.

Item

S-Works Tarmac SL9

S-Level Tarmac SL9

Quadro

FACT 12r, 687 g

FACT 10r, 822 g

Garfo

FACT 12r

FACT 12r

Grupo

SRAM RED AXS

SRAM RED AXS

Rodas

Roval Rapide CLX III

Roval Rapide CL III

Cockpit

Roval Rapide integrado

Roval Rapide integrado

Canote

S-Works Rapide Post

Canote da Tarmac SL8

Selim

S-Works Power com Mirror

Power Pro com Mirror

Rolamentos

CeramicSpeed

Aço padrão

Peso (tam. 56)

6,6 kg

7,1 kg

Preço

R$ 139.990,00

R$ 104.990,00

A conta dos 500 gramas

Aqui é onde a coisa fica interessante.

De todas as diferenças que listei, quanto o quadro representa no peso final? 135 gramas. Só isso.

Os outros 365 gramas estão espalhados entre rodas, selim, canote e rolamentos. Ou seja, três quartos da diferença de peso entre as duas bikes está em peças que você pode trocar depois, quando quiser e no ritmo do seu bolso.

Agora divida os números. R$ 35.000,00 por 500 gramas dá R$ 70,00 por grama. Tem mais um detalhe que muita gente deixa passar. Como o quadro tem a mesma forma, a mesma geometria e os mesmos tubos, a aerodinâmica do quadro é a mesma nas duas. A diferença de arrasto que existe entre as bikes vem das peças, principalmente das rodas e do canote, não da estrutura.

Traduzindo para o que interessa na estrada: você não está pagando por um quadro mais rápido. Está pagando por um quadro mais leve e por um conjunto de peças melhores.

Para quem cada uma faz sentido

Para quem treina e compete como se fosse um profissional, a S-Works será melhor escolha.

Existe também o argumento de que quem quer o topo absoluto vai comprar o topo absoluto de qualquer forma. Isso é bem verdade. A S-Works nunca foi vendida como decisão racional, ela é vendida como a melhor coisa que a marca sabe fazer.

O que não vale é pagar a diferença achando que está comprando um quadro mais rápido, porque não está.

Já para o restante das pessoas que quiserem uma bike com grupo topo de linha, a S-Level entrega praticamente a mesma experiência. Mesmo quadro no formato, mesmo garfo, mesmo grupo, mesmo cockpit, mesmo pneu. E ainda sobram trinta e cinco mil reais.

Com esse valor sobrando, dá para montar uma estrutura de treino completa: rolo interativo de bom nível, ciclocomputador, medidor de potência reserva, capacete aero, sapatilha boa e ainda um bom estoque de inscrições em prova e suplementos.

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Até a próxima edição.

Eduardo Dantas e Tatiana Oliveira

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