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Giro de notícias da Tribo News sobre relógios esportivos, bicicletas e sensores

Toda semana, eu costumo escolher um assunto para deixar exclusivo aqui na nossa TriboNews, mas para a edição dessa semana eu resolvi fazer diferente, por um motivo simples: setembro trouxe três notícias grandes em três frentes bem distintas.

Um relógio de entrada ganhou um recurso que sempre foi reservado aos modelos que custam o dobro. Uma fabricante italiana de motos apresentou quatro bicicletas de alto desempenho, com quadro próprio de carbono. E um sensor que quase todo ciclista conhece resolveu sumir de vista, escondido dentro do cubo da roda.

Simbooora!!!

Conteúdo da 68ª edição:

  1. A Coros colocou mapas no relógio de entrada dela;

  2. O que isso significa para quem está pesquisando relógio agora;

  3. A Coros também abriu os dados dela para inteligência artificial;

  4. A Ducati entrou no ciclismo com quatro bicicletas;

  5. O sensor de velocidade está prestes a desaparecer;

  6. Vale a pena, ou é só mais bonito?

  7. O que aconteceu na TriboTT;

  8. Cupons da TriboTT.

A Coros colocou mapas no relógio de entrada dela

O que mudou na navegação do Coros Pace 4 com a chegada dos mapas offline

A Coros liberou isso no começo do mês. Das três notícias, essa é a que mexe de forma mais direta com quem está pensando em comprar um relógio.

A novidade veio dentro do Public Beta mensal e são mapas completos no Pace 4, que é o modelo mais acessível da linha deles. Não é o mapa simplificado que vinha antes. São mapas coloridos de verdade, com relevo, nome de rua, nome de trilha e pontos de interesse, o mesmo padrão que já existia no Pace Pro e no Nomad.

Para você entender o tamanho da mudança: até agora, nenhuma marca focada em endurance tinha colocado mapa offline nessa faixa de preço. Mapa era sinônimo de modelo intermediário para cima. O Pace 4 saiu de fábrica com navegação em breadcrumb, aquela linha do trajeto flutuando em uma tela preta vazia. Agora ele tem mapas completos.

Tem duas limitações que precisam ficar claras e o bacana é que a própria Coros não esconde nenhuma delas.

A primeira é o armazenamento. O Pace 4 tem 4 GB, contra 32 GB do Pace Pro e do Nomad. Isso significa que você não vai baixar um continente inteiro. A Coros divide os mapas em regiões menores, então dá para baixar a sua área, apagar quando não precisar mais e baixar o destino da viagem.

A segunda é que o mapa não é roteável. Ele funciona como uma imagem estática embaixo do seu percurso, ou seja, você não cria rota nem recalcula trajeto no relógio. O percurso precisa vir de fora, pelo aplicativo da Coros, pelo Strava ou pelo Komoot. Para a maioria das situações isso resolve, mas quem se perder e pedir para o relógio achar o caminho de volta não vai encontrar isso aqui.

Vale lembrar que é um beta público. Se você não gosta de conviver com instabilidade, espere a versão estável que deve sair em breve, caso você tenha um Coros Place 4.

O que isso significa para quem está pesquisando relógio agora

Aqui está a parte prática.

Quem chega aqui na TriboTT perguntando qual relógio comprar, quase sempre esbarra no mesmo problema: os recursos de navegação estão no modelo que custa o dobro. A conversa costuma terminar em uma escolha difícil: pagar mais ou abrir mão do mapa.

A Coros também abriu os dados dela para inteligência artificial

Essa não é notícia da semana, é de maio, mas muita gente ainda não sabe que existe e ela conversa demais com o assunto de hoje.

A Coros publicou um servidor MCP oficial. MCP é a sigla de Model Context Protocol, um padrão aberto criado pela Anthropic que define como aplicações de inteligência artificial se conectam a ferramentas e fontes de dados externas.

Traduzindo para a nossa língua: com a sua autorização, você conecta a sua conta Coros ao Claude ou ao ChatGPT e conversa com os seus próprios dados de treino.

O acesso é somente de leitura, então a inteligência artificial não escreve nada na sua conta. Ela consegue puxar treinos, sono, variabilidade da frequência cardíaca, carga de treino e previsões de prova. Você pergunta o que quiser em linguagem normal, do tipo "como foram as minhas últimas quatro semanas de corrida", para receber a resposta com os seus números reais.

A Coros aparece como a primeira grande marca de relógios de endurance a publicar um MCP oficial. É um caminho bem diferente do que a maioria escolheu até aqui, que foi colocar a inteligência artificial dentro do próprio aplicativo em vez de abrir os dados para fora.

Já conversamos sobre essa história na TriboNews 55.

A Ducati entrou no ciclismo com quatro bicicletas

Sim, a Ducati das motos.

No dia 3 de setembro, no International Bike Festival, em Misano, na Itália, a marca de Borgo Panigale apresentou a linha de bicicletas MY2027. São quatro modelos, desenvolvidos com o Gruppo Zecchetto, grupo italiano que reúne nomes conhecidos do ciclismo como Diamant, DMT e Alé.

modelo da linha de bicicletas Ducati MY2027

A Monoscocca é a de estrada. Quadro monocoque de fibra de carbono feito na Itália, laminado em molde único, sem junção separando o triângulo dianteiro do traseiro. Vem em duas montagens, R e RR, além da opção de quadro avulso. A RR é a topo de linha, com Shimano Dura-Ace Di2 e rodas Vision Metron, com peso declarado de 7,18 kg no tamanho M sem os pedais.

A GraviaX é a gravel, também com quadro monocoque italiano, disponível como bicicleta completa na versão GraviaX R e como quadro avulso.

E aí vêm as duas elétricas de enduro, as duas com quadro de carbono.

A DM-160 R tem 160 mm de curso na suspensão dianteira, rodas 29 nas duas pontas e motor Avinox M2S, que entrega até 1.300 W e 130 Nm de torque. No modo Boost o número sobe para 150 Nm, com bateria de 800 Wh.

A DM-170 RR parte da mesma plataforma, mas puxa para o lado gravitacional, com 170 mm de curso, suspensão Öhlins, transmissão eletrônica SRAM GX AXS e configuração mullet, com roda 29 na frente e 27,5 atrás.

Sobre preço, vale um aviso: a Ducati não divulgou valores no comunicado oficial. Os números que circulam vieram da imprensa especializada, que aponta uma faixa na Europa partindo de cerca de 5.590 euros e chegando a 12.990 euros.

Vale dizer que a Ducati não está estreando do zero. Ela já vendia bicicletas elétricas em parceria com a THOK desde 2018. A diferença agora é a ambição, porque essa linha cobre estrada, gravel e montanha ao mesmo tempo, com quadro próprio e posicionamento de alto desempenho.

O sensor de velocidade está prestes a desaparecer

Se você pedala com sensor de velocidade, conhece a cena. Aquela caixinha preta presa no cubo da roda, funcionando perfeitamente bem, mas destoando de um conjunto de rodas que custou caro.

A DT Swiss decidiu resolver isso da forma mais direta possível: colocando o sensor dentro do cubo.

O produto se chama DT Swiss TRACKR SPEED by Wahoo e foi desenvolvido em parceria com a Wahoo. Ele encaixa em volta dos cubos SPLINE e DICUT da marca, envolvendo a carcaça de um jeito que parece peça de fábrica. Funciona também com a linha 1800, lançada recentemente, o que cobre boa parte das rodas de estrada e de gravel deles.

Sensor de velocidade DT Swiss TRACKR SPEED integrado ao cubo da roda

A tecnologia é a mesma dos sensores modernos. Um acelerômetro de três eixos identifica a rotação do cubo e converte isso em velocidade e distância. A vantagem sobre depender só do GPS é evidente para quem pedala em túnel, em vale fechado ou embaixo de mata densa, onde o sinal de satélite falha e a sua velocidade some do visor. A transmissão é dupla, ANT+ e Bluetooth, então conecta em ciclocomputador, celular ou relógio.

A bateria é interna e recarregável, com autonomia declarada de até 94 horas. A recarga é feita com um cabo magnético, sem precisar tirar a roda. O peso parte de 23 gramas. O preço anunciado é de 59,90 euros ou 89,80 dólares. Existe também um combo com a roda traseira G1800 SPLINE por 427,90 dólares.

Vale a pena, ou é só mais bonito?

Agora a parte que interessa.

A própria DT Swiss é transparente sobre o que fez aqui. Está escrito na página oficial do produto: o TRACKR SPEED deles é desenvolvido com base no TRACKR SPEED da Wahoo e tem as mesmas funcionalidades. A diferença é a carcaça e o fato de usar bateria recarregável em vez de pilha.

Ou seja, a marca não está vendendo desempenho, mas sim acabamento.

Aí a comparação fica interessante, porque o sensor externo da Wahoo, que é mais barato, ganha em três pontos concretos. Ele funciona com quase qualquer cubo, de qualquer marca, o que significa que acompanha você quando trocar de roda. A pilha entrega cerca de 200 horas declaradas, mais do que o dobro das 94 horas do integrado, e a Cyclingnews aponta ainda que o modelo da Wahoo é à prova d'água e mais leve.

O integrado ganha em uma coisa só, que é parecer parte da bicicleta.

Fechando o giro

Olhando as três notícias juntas, dá para perceber uma coisa em comum.

A Coros entregou por atualização de software um recurso que sempre exigiu pagar mais caro.

A Ducati chegou de vez no mundo das bikes, com quadro próprio e componentes de ponta, mas apostando pesado no nome e no design.

E a DT Swiss lançou um acessório perfeito para quem costuma pedalar passando por túneis, montanhas ou mata fechada, quando o GPS perde o sinal e a velocidade deixa de aparecer no ciclocomputador.

Perdeu a edição anterior?

Chaaaaama!

Até a próxima edição.

Eduardo Dantas e Tatiana Oliveira

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