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Ilustração do Setembro Vermelho com relógio Garmin no pulso e traçado de eletrocardiograma

Setembro é o mês em que a Sociedade Brasileira de Cardiologia coloca o coração no centro da conversa. A campanha se chama Setembro Vermelho e nasceu a partir do Dia Mundial do Coração, celebrado no dia 29. A ideia por trás dela é bem direta: cuidar do coração é rotina, não é evento de calendário.

A Garmin entrou nessa conversa com um artigo no blog oficial mostrando quais recursos dos dispositivos ajudam você a acompanhar os sinais do próprio organismo. Achei o gancho perfeito para fazer aqui o que a gente mais gosta: pegar cada recurso, explicar o que ele é de verdade e mostrar onde estão os limites dele.

Porque tem uma situação curiosa acontecendo com quase todo mundo que recebe essa news. Você usa um sensor cardíaco no pulso 24 horas por dia, há meses ou há anos. Boa parte dos números que ele produz você nunca abriu para entender o que significam.

Nesta edição a gente vai resolver isso.

Conteúdo da 67ª edição:

  1. O que é o Setembro Vermelho e por que ele interessa a quem treina;

  2. Frequência cardíaca em repouso: o número que conta a sua história;

  3. Alertas de frequência cardíaca anormal: o aviso que quase ninguém ligou;

  4. Status da VFC: o que a variabilidade diz sobre a sua recuperação;

  5. Estresse e Body Battery: o coração fora do treino;

  6. ECG no pulso: o que ele identifica e o que ele não faz;

  7. Sono: a parte da conta que ninguém quer pagar;

  8. CIRQA: monitoramento sem tela, para quem não quer o relógio o dia inteiro;

  9. Cinta cardíaca: quando o punho não dá conta;

  10. O que aconteceu na TriboTT;

  11. Cupons da TriboTT.

Setembro Vermelho: uma campanha que combina demais com quem treina

O recado central da campanha é a prevenção, o acompanhamento periódico com um profissional de saúde e a construção de hábitos que sustentam o coração no longo prazo. Movimento, sono, recuperação e alimentação estão todos nessa lista.

Quem corre, pedala ou nada já cumpre a parte do movimento com folga. Só que existe uma segunda camada que a maioria dos amadores deixa passar, que é observar como o corpo responde a tudo isso. É aqui que o relógio deixa de ser um cronômetro caro e vira ferramenta de acompanhamento.

Vou usar como referência as linhas mais atuais da Garmin, que são a Fênix 8, a Fênix 9, o Forerunner 170, o Forerunner 570 e o Forerunner 970. Vale dizer desde já que a maior parte desses recursos também existe em linhas anteriores, como Forerunner 165, 265, 955 e 965, além de modelos da linha Venu. A disponibilidade varia conforme o modelo, o país e a região, então sempre vale conferir no manual do seu aparelho.

Frequência cardíaca em repouso: o número que conta a sua história

O sensor óptico do relógio registra a frequência cardíaca no punho durante o exercício, mas também ao longo do dia inteiro e da noite. Desse acompanhamento contínuo sai um dos números mais úteis que você tem à disposição, que é a frequência cardíaca em repouso.

O erro clássico é comparar esse número com o de outra pessoa. A Garmin é bem clara sobre isso no material da campanha: em vez de olhar para o valor do vizinho, acompanhe a sua própria tendência ao longo de semanas. É essa curva que cria uma referência individual.

Um exemplo de como isso funciona na prática. Digamos que a sua frequência cardíaca em repouso viva na casa dos 52 batimentos por minuto e, ao longo de cinco dias seguidos, ela suba para 60. Sozinho, nenhum desses dias diz muita coisa. A sequência, sim, diz. Sono ruim, carga de treino mais pesada, viagem ou o começo de um resfriado aparecem nesse número antes de você conseguir nomear o que está acontecendo.

Gráfico mostrando a tendência de frequência cardíaca em repouso subindo ao longo de cinco dias

Já falamos sobre isso quando explicamos como o relógio percebe que algo saiu do padrão.

Alertas de frequência cardíaca anormal: o aviso que quase ninguém ligou

Esse é o recurso que mais me surpreende pela quantidade de gente que não sabe que ele existe. Os relógios Garmin compatíveis conseguem avisar quando a sua frequência cardíaca passa de um limite alto ou cai abaixo de um limite baixo enquanto você está parado.

Duas informações importantes sobre ele, direto do manual oficial.

A primeira é que o alerta não vem pronto. Você precisa entrar nas configurações do relógio, ativar o alerta de frequência cardíaca alta, o de frequência cardíaca baixa ou os dois, além de definir na mão qual é o valor limite. O caminho no menu muda conforme o modelo, então vale procurar no manual do seu aparelho.

Ilustração dos alertas de frequência cardíaca alta e baixa nos relógios Garmin

A segunda é sobre quando ele funciona. O alerta dispara depois de um período de inatividade, que nos modelos mais recentes é de pelo menos dez minutos, então ele não vai te encher de vibração durante um tiro forte na pista. Ele também não notifica quando a frequência cai abaixo do limite dentro da janela de sono configurada no Garmin Connect.

O manual da Garmin faz questão de deixar registrado que esse recurso não avisa sobre qualquer problema cardíaco em potencial, não trata nada e não diagnostica nada. Ele é um aviso de que um número saiu da faixa que você mesmo definiu. O que fazer com esse aviso é conversa para o consultório do cardiologista.

Status da VFC: o que a variabilidade diz sobre a sua recuperação

A variabilidade da frequência cardíaca, ou VFC, é provavelmente a métrica mais mal explicada por aí. Ela não mede quantas vezes o coração bate. Ela olha para as pequenas variações de tempo de um batimento para o outro.

Nos dispositivos compatíveis, os dados usados para calcular a VFC são registrados enquanto você dorme. O relógio precisa de três semanas de dados de sono consistentes antes de conseguir mostrar o seu Status da VFC, porque ele está construindo a sua linha de base pessoal. Depois disso, ele passa a comparar a sua média de sete dias com essa faixa habitual.

Um status equilibrado costuma indicar boa relação de treino com recuperação, condicionamento cardiovascular em dia e mais resiliência ao estresse. Um status desequilibrado pode apontar fadiga, necessidade maior de recuperação ou uma carga de estresse acumulada.

Treino, atividade física, sono, alimentação e hábitos do dia a dia mexem nesse número. Por isso a leitura correta não é olhar a VFC de ontem, é olhar para onde ela está indo.

Estresse e Body Battery: o coração fora do treino

Nem todo desgaste vem da sessão de treino. Essas duas métricas existem justamente para mostrar isso.

O nível de estresse é estimado ao longo do dia usando principalmente informações de frequência cardíaca e de variabilidade da frequência cardíaca, em uma escala de 0 a 100. A proposta não é transformar cada oscilação em preocupação, é permitir que você observe padrões. Em alguns dispositivos, quando um nível incomumente elevado aparece, o relógio sugere um exercício guiado de respiração.

Body Battery mostrando o que consome e o que repõe as reservas de energia do corpo

O Body Battery pega frequência cardíaca, VFC e movimento e transforma tudo em uma estimativa das suas reservas de energia. Atividade física e estresse consomem essas reservas. Descanso e, principalmente, uma boa noite de sono repõem.

Aqui mora uma das conclusões mais desconfortáveis que o relógio entrega. Tem gente que acha que treinou mal porque a perna estava pesada, quando a conta começou a ficar torta três noites antes.

ECG no pulso: o que ele identifica e o que ele não faz

O eletrocardiograma é o recurso mais comentado da lista, então vale explicar com calma o que ele é.

O aplicativo ECG da Garmin faz um registro semelhante a um eletrocardiograma de derivação I, usando os sensores do relógio para captar os sinais elétricos que comandam os batimentos. A partir desse registro, ele classifica o resultado em ritmo sinusal normal, quando os batimentos seguem o padrão esperado, ou em sinais de fibrilação atrial, que é um tipo de arritmia marcada por batimentos irregulares.

A fibrilação atrial é o motivo de esse recurso existir. Ela pode dar sintomas pouco frequentes ou passar despercebida, o que torna difícil flagrá-la até em consultório. Ter um registro do próprio ritmo cardíaco guardado no Garmin Connect dá ao seu médico um material que antes não existia.

Agora as restrições, que estão no material oficial da Garmin e merecem atenção. O aplicativo não deve ser usado durante atividade física. Ele não é indicado para quem tem menos de 22 anos. Ele não foi testado em pessoas gestantes. Ele não avalia hipertensão, não identifica outros tipos de arritmia e não verifica sinais de ataque cardíaco. A disponibilidade do recurso também varia conforme o modelo do dispositivo, o país e a região.

Diferença entre ritmo sinusal normal e fibrilação atrial no ECG do Garmin

Uma boa notícia para quem acompanha a Tribo há mais tempo: o recurso passou a ser liberado no Brasil, o que dispensa a ginástica de trocar a localização do celular que a gente precisou ensinar em 2025. O Eduardo mostrou o ECG funcionando no canal, com o relógio na mão, então vale assistir para ver como fica na prática.

E se você quiser recuperar o histórico dessa função aqui na Tribo, a edição abaixo conta como era antes.

Sono: a parte da conta que ninguém quer pagar

Falar de saúde do coração sem falar de descanso deixaria metade da rotina de fora.

Nos dispositivos compatíveis, o monitoramento do sono usa frequência cardíaca, VFC e movimento para identificar quando você dormiu, quando acordou e os períodos em que esteve desperto durante a noite. Dependendo do modelo, você também recebe os estágios do sono e uma pontuação de sono.

O valor disso aparece na sequência de dias, não em uma noite isolada. Depois de algumas semanas acompanhando, você começa a enxergar ligações que passavam batidas antes, como uma noite ruim virando disposição baixa no dia seguinte.

Para quem não gosta de dormir com o relógio no pulso, a Garmin oferece o Index Sleep Monitor. Ele é usado na parte superior do braço, foi desenvolvido especificamente para o acompanhamento noturno e registra estágios do sono, Status da VFC, frequência cardíaca, variações respiratórias, temperatura da pele e Pulse Ox, além de gerar a pontuação de sono. Os dados sincronizam com o Garmin Connect e complementam as informações de um smartwatch Garmin compatível.

Já destrinchamos todas essas métricas em uma edição inteira.

CIRQA: monitoramento sem tela, para quem não quer o relógio o dia inteiro

Se o Index Sleep Monitor resolve a noite, existe outro perfil que aparece direto nas nossas conversas. É a pessoa que adora o relógio na hora de treinar, mas não quer usar aquele aparelhão no pulso em reunião de trabalho ou em um jantar. O resultado é que ela perde justamente o acompanhamento contínuo que a gente passou a edição inteira defendendo.

Foi para esse caso que a Garmin lançou a CIRQA, uma pulseira inteligente sem tela, feita com faixa têxtil, já disponível por aqui. Ela monitora a frequência cardíaca de forma contínua, com alertas de frequência cardíaca alta e baixa personalizados, além de entregar Status de VFC, Body Battery, nível de estresse, temperatura da pele, estágios do sono e pontuação de sono. Tudo cai no mesmo Garmin Connect, ao lado dos dados do seu relógio, sem exigir assinatura. A bateria dura até dez dias.

Garmin CIRQA, pulseira inteligente sem tela para monitoramento contínuo

Tem ainda um detalhe que costuma agradar ao pessoal do ciclismo: a CIRQA transmite a frequência cardíaca para dispositivos Garmin compatíveis, incluindo os ciclocomputadores Edge.

Cinta cardíaca: quando o punho não dá conta

Chegamos ao ponto que mais gera pergunta na Tribo. Se o relógio mede a frequência cardíaca, para que serve a cinta.

A resposta está na forma como cada um coleta o dado. O sensor do relógio é óptico, emite luz na pele e interpreta a variação do fluxo de sangue embaixo do punho, o que funciona muito bem em repouso, durante o sono e em esforços de intensidade estável. A cinta capta o sinal elétrico do coração diretamente no peito, mesmo princípio do exame feito em consultório.

Comparação entre o sensor óptico do relógio no pulso e a cinta cardíaca no peito

O problema aparece em situações que atrapalham a leitura óptica. Movimento intenso do punho, pulseira frouxa, suor, mudanças bruscas de ritmo e frio no braço afetam o sinal. Em uma corrida intervalada esses fatores aparecem todos ao mesmo tempo. É comum ver a leitura do punho demorar para acompanhar a subida do esforço em um tiro curto, o que na prática significa treinar em uma zona diferente daquela que você acha que está treinando.

Para quem treina por zonas de frequência cardíaca, esse atraso muda o treino inteiro. Para quem só quer acompanhar a saúde do coração no dia a dia, o punho resolve bem.

Se quiser se aprofundar, temos duas edições dedicadas ao assunto.

O limite de tudo isso

Vale terminar com o mesmo aviso que a própria Garmin repete no material da campanha. Todos esses recursos foram feitos para ajudar você a acompanhar informações sobre o seu organismo e seus hábitos. Eles não substituem avaliação, diagnóstico ou acompanhamento feito por profissionais de saúde.

Sintomas, alterações que insistem em aparecer e qualquer preocupação com a saúde cardiovascular precisam ser levados a um médico. O relógio serve para você chegar na consulta com meses de dados na mão, em vez de chegar com a memória e um palpite.

E já que estamos em setembro, esse é um bom mês para marcar aquele check-up que você vem empurrando.

Perdeu a edição anterior?

Chaaaaama!

Até a próxima edição.

Eduardo Dantas e Tatiana Oliveira

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