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#32 - Frequência Cardíaca: Relógio vs Cinta Cardíaca
Guia completo sobre precisão, limitações e quando usar cada tipo de monitor para otimizar seus treinos de corrida.
Atualmente, eu vejo poucas pessoas discutindo a precisão do monitoramento cardíaco dos relógios que usamos para treinar, seja ele Garmin, Polar, Coros, Apple Watch etc.
Usar o relógio como monitoramento cardíaco é a forma mais prática, já que o temos no braço durante os treinos, além de ser econômica, pois evitamos gastos extras com a compra de uma cinta cardíaca.
Mas será que os relógios são tão precisos quanto parecem?
Resolvi pesquisar a fundo sobre esse assunto para trazer a você, em detalhes na nossa 32ª edição da TriboNews, todos os cuidados que devemos ter para tornar o monitoramento do relógio o mais preciso possível, assim como também por que as cintas cardíacas que usamos no tórax continuam sendo o “padrão-ouro” no que se refere à precisão.
Conteúdo da 32ª edição:
Monitoramento Cardíaco: usar relógio ou cinta cardíaca?
O que aconteceu na TriboTT;
Cupons da TriboTT.
Como Funcionam os Sensores Ópticos dos Relógios
Os relógios que usamos nos treinos utilizam uma tecnologia chamada fotopletismografia (PPG). Aquelas luzes verdes, e ocasionalmente vermelhas, que piscam na parte traseira do seu relógio não estão ali apenas para enfeitar.
Elas emitem luz através da sua pele para detectar mudanças no volume sanguíneo, permitindo que o relógio estime a sua frequência cardíaca.
Isso é bem curioso! Ossos, tecidos moles e sangue absorvem luz de maneiras diferentes. Quando o sangue flui pelas veias do seu pulso, essas variações podem ser detectadas pelo sensor óptico, que então calcula quantas vezes seu coração bate por minuto.

É impressionante quando começamos a entender como funciona, mas é nesse momento que notamos o quanto esse monitoramento está longe da perfeição.
Ao contrário dos relógios, as cintas torácicas utilizam eletrodos que detectam a atividade elétrica do coração por meio da eletrocardiografia (ECG). Esta é a mesma tecnologia usada em hospitais e clínicas médicas, medindo diretamente os impulsos elétricos gerados pela contração dos músculos cardíacos.

Até agora, já deu para perceber que as medições são muito diferentes, né?
No relógio, a medição é feita por meio da luz, que detecta mudanças no volume sanguíneo que passa pelas veias do nosso pulso, e na cinta, a medição é realizada por meio da atividade elétrica do coração.
Vamos conversar sobre como deixar a medição do relógio a mais precisa possível, mesmo sem ser "o melhor dos mundos".
Cuidados essenciais ao usar o relógio
1. Posicionamento Correto no Pulso
O posicionamento do relógio é crucial para o sensor faça leituras precisas. A recomendação geral é usá-lo acima do osso do pulso, para captar uma área mais carnuda do antebraço.
O relógio deve estar firme o suficiente para evitar movimento durante os exercícios, mas não tão apertado a ponto de restringir o fluxo sanguíneo.
Estudos recentes sugerem duas posições como sendo as mais eficazes para monitorar os batimentos cardíacos com maior precisão:
A tradicional sobre o pulso (acima do osso) ou na parte interna do pulso. Esta última posição, embora seja menos convencional, tem mostrado resultados mais consistentes para muitos usuários, sobretudo durante corridas.
2. Ajuste Adequado da Pulseira
Aqui está um outro detalhe super importante para se ter um monitoramento mais preciso usando o relógio: o ajuste da pulseira.
Se o relógio estiver muito frouxo, ele balançará e o sensor perderá contato com a pele em vários momentos, levando a leituras inconsistentes. Por outro lado, se estiver apertado demais, restringirá o fluxo sanguíneo, comprometendo a precisão das medições.
Lembre-se de ajustar a pulseira antes de iniciar o seu treino de corrida, procurando o equilíbrio para não deixar o relógio nem frouxo, nem apertado demais.
3. Limpeza Regular do Sensor
Os sensores ópticos são bastante vulneráveis a qualquer obstrução que possa bloquear aquelas luzes que já mencionamos, a verde e a vermelha. Após cada treino, é aconselhável limpar o relógio com sabão neutro para remover o excesso de protetor solar, loções ou até repelentes de insetos, caso você use algum desses produtos.
Após essa limpeza, enxágue o relógio para eliminar qualquer resíduo e seque-o antes de recolocá-lo, para não correr o risco de desenvolver alguma alergia.
A gente até já conversou em detalhes todos os cuidados que devemos ter com os relógios, na edição 17 da TriboNews. Se você não viu essa edição, está aqui:
4. Considerações sobre o tipo de pele
A tecnologia fotopletismográfica (PPG), usada pelos sensores dos relógios pode ser afetada por características individuais da pele, como tonalidade, pelos, sardas e tatuagens podem interferir na capacidade do sensor de obter leituras precisas. Isso significa que duas pessoas usando o mesmo modelo de relógio podem experimentar níveis diferentes de precisão.
Peles mais escuras tendem a absorver mais luz, o que pode reduzir a quantidade de luz refletida de volta ao sensor. Pelos densos no pulso também podem criar uma barreira entre o sensor e a pele.
Infelizmente, essas são limitações dessa tecnologia que os fabricantes continuam trabalhando para superar, mas até o momento, nada foi resolvido.
5. Condições Ambientais
Além de tudo o que conversamos, há a questão do clima, que pode desempenhar um papel importante na precisão das leituras. Por exemplo, em condições de frio extremo, a vasoconstrição (estreitamento dos vasos sanguíneos) reduz o fluxo sanguíneo em algumas partes do corpo, como os pulsos, dificultando a detecção das mudanças de volume sanguíneo pelos sensores ópticos.
A umidade e o suor excessivo também podem afetar as leituras. Embora o suor seja necessário para o funcionamento adequado das cintas torácicas (criando um meio condutor), ele pode causar o deslizamento dos relógios de pulso, comprometendo o contato constante entre sensor e pele.
Nesse caso do suor, especificamente, o que pode ser feito para evitar com que o relógio balance é usá-lo virado para a parte interna do pulso, conforme discutido no item 1 deste tópico.
Limitações dos Sensores Ópticos de Pulso
Exercícios de alta intensidade
Uma das maiores limitações dos sensores ópticos de pulso é seu desempenho durante exercícios de alta intensidade. Treinos intervalados de alta intensidade (HIIT), sprints e mudanças rápidas de ritmo representam grandes desafios para esses dispositivos.
Durante intervalos curtos de 30 a 90 segundos, o relógio muitas vezes não consegue acompanhar os picos rápidos de frequência cardíaca em tempo real. Você pode perder totalmente os picos ou observar respostas atrasadas.
Para atletas que treinam por zonas de frequência cardíaca ou que precisam manter limites específicos prescritos por médicos ou treinadores, essa falta de precisão pode ser um grande problema.
Estudos científicos confirmam essas limitações. Uma pesquisa publicada pelo American College of Cardiology, realizada em 8 de março de 2017, descobriu que os monitores de pulso se tornavam menos precisos à medida que a intensidade do exercício aumentava.
O Fenômeno do "Cadence Lock"
Um erro comum dos sensores ópticos do relógio é o que especialistas chamam de "cadence lock", quando o sensor captura a cadência de corrida (passos por minuto) em vez da frequência cardíaca real. Isso acontece porque as contrações musculares das pernas afetam a circulação sanguínea na parte superior do corpo.
Imagine correr a 180 passos por minuto e seu relógio mostrar uma frequência cardíaca de 180 bpm, quando, na realidade, seu coração está batendo a 150 bpm. Este é um exemplo clássico de “cadence lock”, em que o sensor detecta as vibrações e movimentos do corpo em vez do pulso cardíaco real.

Desempenho em diferentes tipos de exercício
A precisão dos sensores dos relógios varia significativamente conforme a atividade praticada:
Caminhada e corrida leve: Geralmente apresentam boa precisão em ritmo constante. A maioria dos relógios se sai bem nessas condições.
Ciclismo: Um desafio para sensores de pulso. A posição das mãos no guidão, as vibrações da bicicleta e a tensão nos pulsos podem causar leituras imprecisas. Estudos indicam que a precisão cai significativamente durante o ciclismo.
Aparelhos elípticos: Esses são bem desafiadores, especialmente aqueles com alavancas para os braços. O movimento constante dos braços e mãos compromete o contato do sensor com a pele, assim como comentamos na corrida. Procure usar o relógio virado para a parte interna do pulso nesses momentos.
Natação: A água adiciona uma camada de complexidade para os sensores. A pressão da água, o movimento dos braços e a temperatura podem afetar as leituras.
Evolução da tecnologia de sensores

Apesar de tudo o que conversamos, é importante reconhecer que a tecnologia está em constante evolução. A Garmin, por exemplo, já passou por cinco gerações dos Principais sensores.
Os sensores mais recentes são os de geração 4, que estão presentes em relógios como o Forerunner 965 e o Fênix 7, e os de geração 5, encontrados no Forerunner 570/970, Fênix 8, Venu X1 e Enduro 3. Esses sensores oferecem uma precisão muito superior em comparação com as versões anteriores.
Conclusão sobre os Sensores de Pulso
Para o monitoramento diário, corridas leves e recuperação, se você estiver usando o relógio corretamente, os sensores fornecerão dados de frequência cardíaca muito bons.
No entanto, para treinamentos sérios, intervalos, esforços no limiar ou corridas com base em frequência cardíaca, ainda há limitações significativas, sendo ideal considerar a compra de uma cinta cardíaca.
Por Que as Cintas Cardíacas São Mais Precisas

Agora que entendemos as limitações dos sensores ópticos de pulso (os relógios), fica mais fácil compreender por que as cintas torácicas continuam sendo o “padrão-ouro” para monitoramento da frequência cardíaca.
Medição Direta da Atividade Elétrica
As cintas cardíacas utilizam eletrodos que detectam diretamente a atividade elétrica do coração. Enquanto os sensores ópticos tentam inferir a frequência cardíaca por meio de mudanças no volume sanguíneo (um efeito secundário), as cintas torácicas medem o fenômeno primário: os impulsos elétricos que fazem o coração bater.
Estudos científicos confirmam que as cintas torácicas apresentam correlação de 99% com o eletrocardiograma hospitalar, enquanto os monitores de pulso variam entre 67% e 92%, dependendo da marca e das condições.
Imunidade a fatores externos
A tecnologia ECG usada pelas cintas torácicas não é afetada por luz ambiente, movimento dos braços, tom de pele, pelos ou quaisquer fatores que comprometem os sensores ópticos.
Uma vez posicionada corretamente (diretamente sobre a pele, logo abaixo do esterno), a cinta fornece leituras consistentes, seja qual for o tipo de exercício ou condições ambientais.
Resposta em Tempo Real
Para atletas que visam performance, a capacidade de observar mudanças na frequência cardíaca em tempo real é crucial. As cintas torácicas respondem instantaneamente às variações do ritmo cardíaco, permitindo ajustes imediatos no esforço durante treinos intervalados ou de limiar.
Já os sensores ópticos de pulso, por outro lado, apresentam atraso na resposta. Durante sprints ou mudanças rápidas de intensidade, pode levar vários segundos para o sensor detectar e exibir a nova frequência cardíaca.
Confiabilidade para Condições Médicas
Para pessoas com condições cardíacas que precisam monitorar seus limites de frequência cardíaca durante exercícios, a precisão não é apenas uma questão de desempenho atlético, mas sim uma questão de segurança.
Médicos e cardiologistas recomendam cintas torácicas para pacientes com arritmias, doença arterial coronariana, insuficiência cardíaca ou outras condições cardiovasculares.
Versatilidade de Dados
Além da frequência cardíaca básica, as cintas torácicas modernas oferecem métricas avançadas e também podem medir dinâmicas de corrida, como oscilação vertical, tempo de contato com o solo, cadência, entre outras, dependendo do modelo.
Inclusive, esse foi o tema da 31ª edição aqui da nossa TriboNews, onde conversamos em detalhes sobre todas as quatro cintas cardíacas da Garmin, abaixo. Toque Aqui na imagem abaixo para acessá-la.
HRM-200
HRM-Swim
HRM-PRO Plus
HRM-600
Quando usar cada tecnologia
Use o monitor de pulso quando:
Estiver fazendo rastreamento de saúde diário 24/7;
Realizar atividades de baixa a moderada intensidade;
Fizer caminhadas ou corridas leves em ritmo constante;
Precisar de conveniência e não quiser usar equipamento adicional;
Monitorar sono e recuperação;
A precisão exata não for crítica para seus objetivos.
Use a cinta torácica quando:
Treinar por zonas de frequência cardíaca específica;
Realizar treinos intervalados ou HIIT;
Realizar exercícios de limiar ou esforços máximos;
Competir em corridas ou provas;
Pedalar;
Tiver condições cardíacas que exijam monitoramento preciso;
Buscar os dados mais confiáveis possíveis;
Praticar algum esporte em que o uso do relógio não seja permitido.
Mensagem Final
Os relógios inteligentes com sensores ópticos de frequência cardíaca representam um avanço impressionante na tecnologia. Isso não tem como negar!
Eles tornaram o monitoramento cardíaco acessível e conveniente para milhões de pessoas, incentivando hábitos mais saudáveis e maior consciência sobre a saúde cardiovascular.
No entanto, é super importante entender suas limitações e saber também que as cintas cardíacas não foram inventadas à toa.
Lembre-se: a tecnologia é uma ferramenta, não a solução completa.
Entender os pontos fortes e fracos de cada método permite que você tome decisões informadas sobre qual usar em diferentes situações, maximizando os benefícios do monitoramento cardíaco para sua saúde e desempenho.
Chaaama!!!
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Se você não viu a 31ª edição da nossa TriboNews, toque na imagem abaixo para acessar o comparativo completo das quatro cintas da Garmin: HRM-200, HRM-Swim, HRM-Pro+ e HRM-600.
Eduardo Dantas
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