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A TriboNews dessa semana é sobre um assunto completamente diferente do que temos conversado por aqui ao longo das últimas 73 edições, porque algo me chamou bastante atenção.

Na última quinta-feira, a Garmin anunciou os vencedores do Garmin Health Awards 2026, prêmio entregue no encerramento do Garmin Health Summit, em Bangkok.

Um dos premiados foi um centro de tratamento de câncer dos Estados Unidos. Ele mostrou que a quantidade de passos que o paciente dava por dia, registrada por um relógio Garmin, ajudava a identificar quem teria mais dificuldade durante o tratamento.

Antes que você se preocupe: esta edição não é sobre doença. Eu vou te contar o que os médicos descobriram e, depois, te mostrar os recursos do seu Garmin que usam essa mesma lógica e como deixar a sua linha de base confiável.

Então, vamos à 74ª edição da Tribo News. Partiu!

Conteúdo da 74ª edição:

  1. O que é o Garmin Health Summit;

  2. Os passos que viraram sinal vital;

  3. O que esse estudo ensina para quem treina;

  4. Os 3 recursos do Garmin que comparam você com você mesmo;

  5. Como deixar a sua linha de base confiável;

  6. O que aconteceu na TriboTT;

  7. Cupons da TriboTT.

O que é o Garmin Health Summit

Garmin Health Summit 2026, evento da Garmin sobre saúde digital realizado em Bangkok

Imagem: Garmin

Pouca gente sabe, mas a Garmin tem uma divisão chamada Garmin Health. Ela trabalha com hospitais, centros de pesquisa, seguradoras e empresas que usam os relógios da marca para acompanhar atividade, sono e batimentos de pacientes, funcionários e participantes de estudos.

O Garmin Health serve para que pesquisadores e empresas montem os próprios programas com relógios Garmin e com as pessoas que aceitaram participar deles.

Uma vez por ano, a Garmin reúne esse pessoal no Garmin Health Summit. Em 2026, o evento aconteceu em Bangkok e o segundo dia reuniu mais de 200 executivos e líderes do setor. No encerramento, a marca entrega o Garmin Health Awards, que este ano recebeu 113 inscrições de 31 países.

Os vencedores foram dois:

  • Escolha dos especialistas: Montefiore Einstein, um centro de tratamento de câncer dos Estados Unidos.

  • Escolha do público: HeraMED, uma empresa australiana que acompanha a saúde da mulher na gravidez, no pós-parto e na menopausa.

O evento também teve apresentações sobre métricas de longevidade, sobre o monitoramento de fadiga em caminhoneiros e sobre uma pesquisa que usou relógios Garmin com a Agência Espacial Europeia e a Marinha Italiana para estudar a relação da mente com o corpo em ambientes extremos.

Mas foi o centro de tratamento de câncer dos Estados Unidos que me fez escrever esta edição.

Os passos que viraram sinal vital

O Montefiore Einstein usou relógios Garmin com pacientes em tratamento de radioterapia e quimioterapia. Segundo o comunicado da Garmin, os pesquisadores de lá foram os primeiros a mostrar que os dados coletados pelo relógio, sem o paciente precisar fazer nada, conseguem apontar antes do tratamento quem tende a ter mais dificuldade com a terapia.

O responsável pelos estudos é o Dr. Nitin Ohri, que chama a contagem de passos de novo sinal vital no tratamento do câncer. O relógio usado nas pesquisas foi o Garmin Vivofit, uma pulseira simples que conta passos.

Eu separei a descoberta em duas partes, porque são coisas diferentes.

Antes do tratamento

Em um estudo com pacientes de câncer de pulmão, a equipe separou as pessoas pela média de passos antes de começar o tratamento. Metade dos pacientes classificados como inativos precisou ser internada durante a radioterapia. No grupo dos moderadamente ou muito ativos, foram apenas 9%.

E tem um detalhe que me chamou muito a atenção. A avaliação que os médicos costumam fazer no consultório para medir a capacidade física do paciente não conseguiu prever esse risco. Os passos conseguiram.

E aqui é onde entra um detalhe curioso: A avaliação mostra como o paciente está naquele dia. O registro dos dados de saúde feito pelo relógio mostra como ele viveu nos dias anteriores, por isso que é importante “olhar para o passado” que o relógio salvou.

Durante o tratamento

A segunda descoberta é ainda mais interessante. O Dr. Ohri explicou que, quando a atividade do paciente caía durante o tratamento, isso indicava um risco alto de internação nos dias seguintes.

Em 2024, a equipe publicou um estudo com dados de 214 pacientes, no qual criou um modelo de inteligência artificial para prever internações na semana seguinte.

O modelo que usava os passos teve um desempenho bem melhor do que o modelo sem eles. As informações que mais pesaram foram os passos de cada um dos dois últimos dias e as variações dos passos nas duas semanas anteriores.

Agora, um ponto importante que não posso deixar passar: o relógio não descobriu nenhuma doença. Ele registrou um comportamento. Quem relacionou esse comportamento com o que acontecia com os pacientes foram os médicos. A própria Garmin deixa claro no comunicado que os relógios dela são dispositivos de bem-estar, não dispositivos médicos.

O que esse estudo ensina para quem treina

O que ajudou o modelo a antecipar as internações não foi só o número de passos do dia, mas o quanto cada paciente se afastou do próprio padrão nas últimas semanas.

Exemplo: se aquele seu amigo que sempre conversa muito passa um almoço inteiro em silêncio, você percebe na hora que tem alguma coisa diferente. Se um amigo mais calado faz a mesma coisa, ninguém estranha. O silêncio é igual, mas o comportamento muda de acordo com o normal de cada um.

Com os seus dados acontece o mesmo. Uma frequência cardíaca de repouso de 40 batimentos pode ser normal para mim, mas não para você. Por isso, comparar o seu número com o do colega ou com uma tabela da internet não serve para nada. O que diz muito é comparar você com você mesmo.

Essa referência pessoal tem nome: linha de base. E o seu Garmin já calcula a sua em alguns recursos.

Os 3 recursos do Garmin que comparam você com você mesmo

1. Meta automática de passos

Esse é o mais simples e o que tem mais a ver com o estudo. Segundo o manual, o relógio cria a sua meta diária de passos automaticamente, com base nos seus níveis de atividade anteriores.

Ou seja, a meta não é um número fixo igual para todo mundo. Ela acompanha o seu ritmo, como um treinador que ajusta a planilha conforme a sua semana.

O manual também permite desligar a meta automática e definir um número fixo no Garmin Connect. Depois de tudo que eu te contei sobre o estudo, a minha sugestão é manter a automática e prestar atenção quando você ficar bem abaixo dela por vários dias seguidos, principalmente fora das semanas de descanso.

OBS: Se quiser como está configurado para você, abra o app Connect > Mais > Atividades > Passos > três pontinhos no canto superior direito > Editar Meta > ative a opção “Meta Automática”.

2. Status de VFC

A VFC (variabilidade da frequência cardíaca) é a variação de tempo de um batimento para o outro. Eu já expliquei esse assunto em detalhes na edição #13.

O que interessa aqui é como o Garmin usa a VFC. Depois de três semanas de sono com o relógio, ele calcula a sua faixa de base. A partir daí, compara a média dos últimos sete dias com essa faixa e te mostra um status:

  • Equilibrado: a sua média de sete dias está dentro da sua faixa de base.

  • Desequilibrada: a média está acima ou abaixo da faixa.

  • Baixo: a média está bem abaixo da faixa.

  • Fraco: os seus valores estão, em média, bem abaixo do normal para a sua idade.

Exemplo: pense no Status de VFC como o seu humor da semana, não do dia. Uma noite ruim pesa pouco em uma média de sete dias. Se a média da semana sai da faixa, aí sim vale prestar atenção no sono, no estresse e na carga de treino.

3. Status de Saúde

Tela do Status de Saúde no aplicativo Garmin Connect

O Status de Saúde reúne cinco métricas medidas durante o sono: frequência cardíaca, VFC, frequência respiratória, temperatura da pele e oximetria. Eu destrinchei cada uma delas na edição #34.

O que eu quero que você leve desta edição é a leitura rápida. Segundo o manual, cada métrica em azul está dentro da linha de base calculada para você. Cada métrica em laranja está fora dela. Depois de três semanas usando o relógio, você pode selecionar cada métrica para ver o histórico, a sua linha de base e as explicações.

Exemplo: se em uma manhã aparecerem três métricas em laranja ao mesmo tempo, isso diz muito mais do que qualquer número isolado. É o seu corpo avisando que saiu do padrão, do mesmo jeito que os passos avisaram os médicos do Montefiore.

Nada disso é diagnóstico. É um sinal para você olhar com mais atenção para o sono, o treino e o estresse e, se o sinal continuar ou vier acompanhado de sintomas, conversar com um médico.

Como deixar a sua linha de base confiável

Uma linha de base só é boa se for construída com dados bons. Estes são os cuidados que fazem diferença:

  1. Durma com o relógio. O Status de VFC e o Status de Saúde dependem dos dados do sono e, sem eles, não existe linha de base.

  2. Tenha paciência nas primeiras três semanas. Esse é o tempo que o relógio precisa para te conhecer.

  3. Olhe a tendência, não um dia isolado. Um dia fora da curva acontece com todo mundo depois de um longão, de uma festa ou de uma noite curta.

  4. Considere o contexto. Semana de prova, viagem, calor forte e um bloco de treino mais pesado mexem nos números. Isso é esperado.

Se você não gosta de dormir de relógio, existem duas alternativas: o Garmin Index Sleep Monitor, um monitor de sono da Garmin feito para usar só durante a noite, ou a pulseira inteligente da Garmin, a Cirqa Band.

Os seus dados e as pesquisas

As pesquisas que eu citei usam relógios de participantes que aceitaram fazer parte delas. Em declaração à Fundação Mozilla, a Garmin afirmou que não compartilha dados coletados pelo relógio com terceiros a menos que o usuário peça. É o que acontece quando você conecta o Garmin Connect ao Strava ou ao TrainingPeaks: o compartilhamento existe porque você autorizou.

Vem aí a comunidade TriboTT

No dia 29 de novembro, vou abrir a comunidade TriboTT, que será o lugar ideal para quem treina triathlon, corrida ou ciclismo e, além disso, curti saber mais sobre as métricas de treino e tudo o que os equipamentos podem oferecer, sejam relógios, ciclocomputadores etc.

Vamos interagir mais de perto, compartilhar experiências, tirar dúvidas e, a melhor parte, um ajudar o outro na implementação, até porque dizer para que serve uma determinada função, isso o ChatGPT já faz.

Então, salve essa data: 29 de novembro.

Perdeu a edição anterior?

Chaaaaama!

Até a próxima edição.

Eduardo Dantas e Tatiana Oliveira

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