
Você passou meses treinando para ganhar alguns watts na bike. Mudou a alimentação, dormiu melhor, seguiu a planilha à risca. Aí chega no pelotão ou na prova, faz a mesma força de sempre e mesmo assim sente o pessoal passar com facilidade do seu lado. Pois é, parte da resposta pode não estar nas suas pernas.
Boa parte dela está na roupa que você veste. Parece detalhe, mas tem bastante física por trás.
Antes de seguir, preciso esclarecer um ponto que costuma confundir bastante gente e não custa nada reforçar, porque vai que né…Então veja só: a roupa não deixa as suas pernas mais fortes nem cria watts do nada, ela só mexe em quanto da força que você já tem vira velocidade de fato.
Na prática, com a roupa certa você anda mais rápido fazendo o mesmo esforço de sempre, ou segura o mesmo ritmo gastando menos watts. Vou te dar um exemplo aqui que pensei para mensurar essa explicação.
Você já colocou a mão para fora da janela do carro andando? Com a mão aberta, o vento empurra com tudo e se você não segurar o braço, pode dar um problema. Agora quando você vira a mão de lado ou junta os dedos, ela corta o ar quase sem resistência. É a mesma mão e a mesma velocidade do carro, mas o esforço para mantê-la firme no vento fica completamente diferente de uma posição para a outra.
Com o seu corpo em cima da bike acontece exatamente a mesma coisa, já que a roupa é a camada que decide se você corta o ar de lado ou se vai ser empurrado de volta pelo vendo, como se estivesse com a palma da mão aberta.
Conteúdo da 56ª edição:
Por que a sua roupa mexe na sua potência;
O caimento importa mais que a etiqueta;
Camisa aero: o ganho que cabe no bolso;
Meias aero: parece bobagem, mas tem física;
E para o triatleta?;
Quanto disso vale o seu dinheiro;
O que aconteceu na TriboTT;
Cupons da TriboTT.
Por que a sua roupa mexe na sua potência
Quando você está em cima da bike, a maior parte do esforço não serve para vencer o atrito do pneu nem o peso da bicicleta, mas sim para empurrar o ar. E quem mais atrapalha nessa hora é você mesmo, ou melhor, o seu corpo, que é o maior obstáculo que o vento encontra pela frente.
Segundo o especialista em aerodinâmica Xavier Disley, da Aerocoach, o corpo do ciclista responde por algo de 75% a 80% de todo o arrasto do conjunto, somando bike e atleta, conforme ele explicou em material da road.cc. Ou seja, o que cobre o seu corpo pesa muito mais do que qualquer peça cara que você coloque na bicicleta.
Muita gente acha que aerodinâmica é assunto só de quem voa a 45 km/h, mas não é bem assim. A partir de uns 25 km/h em ar parado, o arrasto já começa a cobrar o seu preço. E quando você pedala contra o vento a coisa fica mais séria ainda, porque a velocidade do ar batendo no seu corpo é bem maior que a que aparece no ciclocomputador. Resumindo, você não precisa ser um ciclista veloz para a roupa fazer diferença, basta estar pedalando para valer e pegando algum vento pela frente.
O caimento importa mais que a etiqueta

Aqui vai a parte que mais gera economia de graça: o caimento. Uma roupa que sobra, que fica folgada e balança no vento, aumenta a sua área de frente, justamente a parte que precisa furar o ar. É como pedalar carregando um paraquedas pequenininho o tempo todo. Já uma roupa que veste como uma segunda pele, sem pano sobrando, deixa o ar deslizar.
A Cycling Weekly resume bem a regra de ouro: a peça deve ser justa o suficiente para não ter tecido solto, sem ser tão apertada a ponto de te prender ou incomodar. Tecido sobrando vira arrasto e ainda causa assadura. Em testes de túnel de vento acompanhados pela BikeRadar, até detalhes como o zíper aberto e o tipo de tecido da camisa já mexem no resultado.
Isso não quer dizer que todo mundo precisa sair por aí com a roupa mais justa e agressiva possível. Quem pedala mais ereto, passeia ou encara pedaladas longas de conforto pode preferir um caimento intermediário, que segue o corpo sem sufocar.
Camisa aero: o ganho que cabe no bolso
Trocar uma camisa comum por uma camisa aero, segundo os dados de Disley publicados pela road.cc, pode economizar de 5 a 6 watts a 30 km/h. A 45 km/h, esse ganho sobe para algo perto de 20 watts. Mesmo a 30 km/h, aqueles 5 watts viram minutos a menos no fim de uma pedalada longa. Testes independentes de túnel de vento feitos pela Cyclingnews mostraram que a roupa é uma das formas mais baratas de ganhar watts, rendendo mais que muito equipamento caro de bike.
Meias aero: parece bobagem, mas tem física

Sei que parece exagero, mas a meia aero não é frescura: tem ciência por trás. A panturrilha é uma das partes do corpo mais expostas ao vento e tem um formato que gera turbulência atrás da perna.
As meias aero usam um tecido mais áspero, com texturas e relevos, para bagunçar o ar de propósito bem na superfície da perna. Esse truque, explicado pela fabricante Rule 28, cria uma fina camada de ar turbulento colada na pele, que reduz o tamanho do redemoinho atrás da sua perna e diminui o arrasto. É o mesmo princípio das covinhas de uma bola de golfe.
Em watts, Disley estima pela road.cc uma economia de 1,5 a 2 watts a 30 km/h, chegando perto de 5 watts a 45 km/h. A própria Aerocoach indica que a meia aero deles economiza até 5,3 watts em relação a pedalar de perna nua a 45 km/h.
Em um teste com 16 pares de meias, a Cyclingnews mostrou que o ganho depende muito do formato e do tamanho da sua panturrilha, sendo claro para alguns atletas e quase nada para outros. Vale experimentar, mas sem esperar o mesmo milagre para todo mundo.
E para o triatleta?

Se você é triatleta, presta atenção neste tópico, porque o seu caso tem uma vantagem e algumas particularidades. A vantagem é a seguinte: o triathlon não é regido pela UCI, a federação que manda no ciclismo de competição.
Como explica a Cycling Weekly, isso significa que o macaquinho de triathlon pode usar tecidos e tecnologias que são proibidos no ciclismo. Por isso, ele pode ser feito até mais rápido que um skinsuit pensado dentro das regras da UCI.
Esses ganhos não ficam só na teoria. Em teste de túnel de vento da 220 Triathlon, um macaquinho aero foi 11 segundos mais rápido a 30 km/h e 26 segundos mais rápido a 40 km/h em um trecho de 40 km com o atleta na aerobar. Quanto mais rápido e mais longa a prova, mais a roupa te devolve, então para quem fica horas em cima da bike em um 70.3 ou Ironman, isso é tempo de verdade.
A revista Triathlete traduz isso de um jeito fácil: se antes você precisava de 250 watts para manter certa velocidade e depois passa a manter a mesma velocidade com 240 watts, você ficou mais eficiente sem treinar nem um dia a mais. A mesma reportagem conta o caso de um profissional que, ao trocar para um macaquinho de manga, economizou minutos preciosos ao longo de um Ironman inteiro.
Só não vá achar que a roupa resolve tudo sozinha. Como mostram os testes de fit em túnel de vento da Fitwerx, o resultado de macaquinho e skinsuit é muito individual. A sua posição em cima da bike costuma pesar mais que a peça que você veste.
Quanto disso vale o seu dinheiro
Juntando tudo, fica a pergunta prática: vale o investimento? Para a maioria dos amadores, a resposta é sim, por um motivo simples de bolso. Disley compara, pela road.cc, que o ganho aerodinâmico de uma boa roupa fica perto do ganho de um par de rodas mais aero, só que por uma fração do preço. Antes de gastar uma fortuna em quadro ou roda, a roupa costuma ser o caminho mais barato para os primeiros watts.
Tem um porém importante aqui: para saber se a sua roupa nova realmente economizou watts, você precisa medir. É aí que entra o medidor de potência, que foi tema da nossa edição #54, sobre qual medidor de potência comprar. Sem medir, você fica só no achismo.
E se você acabou de comprar o seu Garmin e ainda está se achando nas configurações, é para isso que existe a Consultoria 1a1 da TriboTT: a gente conversa, 100% online, para eu entender o sua dia a dia de treinos e os equipamentos que possui para que possamos ajustar tudo e assim você passar a usar a tecnologia ao seu favor.
O que aconteceu na TriboTT?
Perdeu a edição anterior?
Chaaaaama!
Até a próxima edição.
Eduardo Dantas e Tatiana Oliveira
TriboTT - Tecnologia aliada ao esporte
O que você achou desta edição da Tribo News?
Cupons da TriboTT
Use iQ - Vestuário de ciclismo e triatlo. 🏷 EDUDANTASIQUE (12%)
Foco Radical - Fotos e vídeos de treinos e provas pelo Brasil. 🏷 ESDANTAS (10%)
Produtos recomendados pela TriboTT
Montamos uma página com os produtos que usamos e indicamos de verdade — sem enrolação. Se estiver pesquisando algum equipamento novo, vale uma olhada antes de decidir.
