
Existe uma diferença grande entre achar que você está forte e ter certeza disso. No fim de um treino de bike, é fácil sair com a sensação de que voou, quando na verdade o vento estava a favor e o ritmo foi tranquilo.
É exatamente esse ponto cego que o medidor de potência resolve. Ele pega o seu esforço e transforma em número, em watts, tirando o treino do campo do achismo.
O assunto costuma assustar quem está começando, porque envolve nomes técnicos, vários tipos de equipamentos e uma boa diferença de preço entre eles. Por isso, nesta 54ª edição a gente vai com calma.
Você vai entender o que é potência, por que ela é diferente da frequência cardíaca, quais são os tipos de medidor com as vantagens e desvantagens de cada um. Vamos lá!
Conteúdo da 54ª edição:
O que é potência (e o medidor que mede ela);
Potência ou frequência cardíaca: qual a diferença;
Os tipos de medidor de potência;
Vantagens e desvantagens de cada tipo;
Qual deles combina com você;
O que aconteceu na TriboTT;
Cupons da TriboTT.
Gostou já de cara e quer passar adiante?
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O que é potência (e o medidor que mede ela)
Potência, no ciclismo, é o quanto de força você aplica na bike combinado com a velocidade da sua pedalada (cadência). O resultado dessa conta é medido em watts. Quanto mais watts, mais trabalho você está produzindo naquele instante.
O medidor de potência, ou potenciômetro, é o sensor que faz essa leitura para você. Por dentro, ele usa pequenas peças chamadas strain gauges, que percebem o quanto um componente entorta de leve quando você pisa no pedal. Esse mínimo entortar, somado à velocidade da pedalada, vira o número que aparece no seu ciclocomputador ou relógio, na hora.
A grande sacada é que a potência é uma medida direta do seu esforço. Ela não depende de como você dormiu, do calor do dia ou de quanto café você tomou.
Se o número diz 250 watts, são 250 watts, na subida ou na descida, com vento a favor ou contra. É por isso que a potência virou a referência de quem treina sério no ciclismo, do iniciante dedicado, ao profissional.
Potência ou frequência cardíaca: qual a diferença?
Essa é a dúvida mais comum, então vamos com calma. As duas medidas são úteis, mas contam histórias diferentes.
Pense no painel de um carro. A potência é o conta-giros, que mostra na mesma hora o quanto o motor está trabalhando. Já a frequência cardíaca é mais parecida com o marcador de temperatura, que reage com um atraso e ainda sofre influência de coisas de fora, como o calor, o cansaço acumulado ou aquele cafezinho antes de subir na bike. (Vou tentar segurar as analogias, mas não prometo nada, rsrs.)
Na prática, a potência é o esforço que você faz, e a frequência cardíaca é a resposta do seu corpo a esse esforço. Num tiro curto e forte, a potência sobe na hora, enquanto o coração ainda está acelerando para tentar acompanhar. Por isso quem treina por potência consegue ser bem mais preciso em estímulos curtos e em provas de ritmo, como um contrarrelógio.
Isso não quer dizer que a frequência cardíaca virou coisa do passado. Aliás, a lógica de treinar por zonas, que a gente já explicou aqui na news, vale para as duas. Se quiser relembrar como as zonas da frequência cardíaca funcionam, vale a leitura da nossa edição sobre o tema.
No fim, potência e frequência cardíaca se completam. A potência mostra o que você produziu e a frequência cardíaca mostra o quanto aquilo custou para o seu corpo.
Os tipos de medidor de potência
Todo medidor de potência faz a mesma coisa, mede força e transforma em watts. O que muda entre eles é o lugar da bike onde essa conta é feita. Dá para pensar em onde fica a caixa registradora que conta os seus watts.
Ela pode ficar bem na ponta, nos pedais. Pode ficar um pouco mais para dentro, no pedivela, aquele braço que liga o pedal ao centro. Ou pode ficar mais ao centro, na aranha (spider), a “roda dentada” que segura as coroas. Existe ainda a versão no cubo da roda, hoje bem menos comum.
Cada posição tem suas vantagens e é aí que mora a decisão de compra.

Vantagens e desvantagens de cada tipo
Nos pedais (Favero Assioma, Garmin Rally)
Os medidores de pedal são os queridinhos de quem tem mais de uma bike, e por bons motivos. Você instala como um pedal comum, com uma chave Allen, em poucos minutos, sem mexer no resto da bicicleta.
A rosca de pedal é padrão, então eles servem em praticamente qualquer bike. E, se você comprar a versão de sensor duplo, ainda mede as duas pernas de forma independente, com equilíbrio e dinâmica de pedalada.
A maior vantagem é a liberdade. Levar o mesmo par de pedais de uma bike para outra é como ter uma única chave que abre todas as suas fechaduras. Tati, por exemplo, usa o mesmo Favero na bike de speed e na TT, sem precisar comprar dois medidores.
No pedivela (4iiii, Stages)
Os medidores de pedivela costumam ser a porta de entrada mais em conta, principalmente nas versões de um lado só, que leem apenas a perna esquerda. São leves e ficam protegidos de pancadas, já que não correm o risco de tocar o chão.
Além disso, ele fica preso àquela bike e precisa ser compatível com a sua pedivela. Trocar de bike com ele dá bem mais trabalho que com os pedais, sem falar no custo.
No aranha (SRAM/Quarq, Power2Max)
Os medidores de aranha ficam no centro da pedivela, entre os braços e as coroas. Eles medem a potência total verdadeira das duas pernas juntas, são bem robustos e ficam protegidos de quedas e pancadas. Em muitos casos, um aranha de boa qualidade pode custar menos que um par de pedais de sensor duplo.
A desvantagem é a compatibilidade. Ele precisa combinar com a sua pedivela, com as coroas e, às vezes, com o tipo de movimento central da bike. A instalação é mais trabalhosa e, assim como o de pedivela, ele não tem uma troca fácil entre bicicletas. É a escolha de quem tem uma bike só e quer algo durável e preciso.
Qual deles combina com você
Não existe melhor medidor de potência no geral, existe o melhor para o seu caso. Aqui vão os cenários mais comuns.
Se você tem uma bike só e quer gastar menos para começar, um medidor de pedivela de um lado só entrega um ótimo custo-benefício. Os modelos da 4iiii e da Stages são os nomes mais conhecidos por aqui.
Se você tem mais de uma bike ou pretende ter, como uma de speed e uma de contrarrelógio / triatlo, os pedais são imbatíveis na praticidade. É aqui que a gente mais gosta do Favero Assioma. Ele instala como um pedal normal, troca de bike em minutos, mede com precisão de cerca de 1% segundo o fabricante, tem bateria recarregável de até 50 horas e transmite em ANT+ e Bluetooth ao mesmo tempo, conversando com praticamente qualquer ciclocomputador ou relógio.
Existe a versão de um lado (Uno) e a de dois lados (Duo), e há também a opção compatível com tacos Shimano ou Look. Pelo conjunto de praticidade, preço e precisão, é o que consideramos o mais versátil hoje.
Ainda na dúvida sobre qual comprar?
Entender os tipos de medidor é uma coisa. Acertar na compra dentro do seu orçamento é outra, e aqui mora uma armadilha comum para quem está começando. Tem gente que gasta demais em um medidor cheio de recursos que não vai usar tão cedo, e tem gente que economiza no lugar errado e fica com um aparelho que não atende ao que precisa.
É para resolver esses tipos de problema que existe a Consultoria 1a1 aqui da TriboTT. Ela é 100% online e pensada para quem está dando os primeiros passos no ciclismo, na corrida, na natação ou no triatlo.
A ideia é a gente conversar para eu entender o seu momento, os seus treinos, os seus equipamentos e assim te ajudar a tirar um melhor proveito do que já tem, ou acertar na escolha do que você pretende comprar.
Se você estiver pensando em dar esse passo, toque no botão abaixo e vamos conversar.
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Até a próxima edição.
Eduardo Dantas e Tatiana Oliveira
TriboTT - Tecnologia aliada ao esporte
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