This website uses cookies

Read our Privacy policy and Terms of use for more information.

distribuição de tempo em zonas de FC após um treino.

Uma reclamação comum de se ver nas redes sociais, em especial quem usa Garmin, é sobre o Status de Treinamento aparecer como "Não Produtivo" mesmo que você esteja seguindo os treinos certinho.

A conclusão que muita gente tira disso é que o Garmin é pessimista demais ou que o algoritmo não funciona.

Na edição #41 da TriboNews, falamos a fundo sobre o Status de Treinamento e como ele realmente funciona. Mas tem um detalhe que ficou de fora e que muda muito a leitura do problema:

O ajuste correto das zonas de frequência cardíaca.

Isso importa porque o Garmin usa o perfil de zonas cardíacas como base para calcular praticamente tudo. O esforço de cada treino, o TSS (Training Stress Score), a carga aguda e crônica e, por consequência, o próprio Status de Treinamento são todos derivados das zonas.

A boa notícia é que configurar as zonas corretamente é bem simples e é sobre isso que iremos conversar nesta 45ª edição da TriboNews. Simbora?!

Conteúdo da 45ª edição:

  1. As 5 zonas de frequência cardíaca: o que cada uma significa e para que serve;

  2. Como calcular sua FCmáx;

  3. Como configurar as zonas no seu Garmin (passo a passo por modelo);

  4. Qual cinta cardíaca usar para treinar em zonas com precisão;

  5. O que aconteceu na TriboTT;

  6. Cupons da TriboTT.

As 5 zonas de frequência cardíaca da Garmin

Antes de entrar nas zonas, um ponto fundamental: as zonas são calculadas como porcentagem da sua frequência cardíaca máxima (FCmáx). O Garmin usa cinco zonas, numeradas de 1 a 5, e a faixa de cada zona é a mesma em todos os modelos da linha, do FR165 ao Fênix 8.

A ideia por trás das zonas é simples: intensidades diferentes geram adaptações fisiológicas diferentes. Treinar sempre no mesmo ritmo, sem variar as zonas, é um dos erros mais comuns entre atletas amadores, e geralmente resulta em estagnação do condicionamento.

Zona 1 — Recuperação ativa

atleta em ritmo muito leve, caminhada ou trote bem leve ao amanhecer

Faixa: 50 a 60% da FCmáx

Como se sente: ritmo fácil, respiração tranquila e ritmada. Você consegue manter uma conversa sem dificuldade nenhuma.

O que acontece no seu corpo: nessa intensidade, o esforço cardiovascular é mínimo. O coração bombeia sangue suficiente para abastecer os músculos sem gerar acúmulo de lactato ou estresse metabólico significativo.

É a zona onde o seu sistema aeróbico opera com mais eficiência e onde a recuperação muscular acontece de forma ativa.

Para que serve: treinos de recuperação ativa no dia seguinte a um esforço intenso, aquecimento antes de séries fortes e desaquecimento ao final de treinos longos.

Muitos atletas subestimam a zona 1 e acabam treinando pesado demais nas sessões que deveriam ser leves, comprometendo a recuperação para os treinos seguintes.

Exemplo de treino: corrida leve de 30 a 40 minutos ou pedalada leve de 1 hora, mantendo a FC consistentemente abaixo de 60% da FCmáx.

Zona 2 — Resistência aeróbica

tleta em ritmo confortável de corrida, expressão relaxada

Faixa: 60 a 70% da FCmáx

Como se sente: ritmo confortável, respiração um pouco mais profunda, mas você ainda consegue falar frases completas sem interromper para respirar.

O que acontece no seu corpo: a zona 2 é onde o organismo aprende a usar gordura como principal combustível. O corpo combina gordura e carboidrato para produzir energia, com predominância da gordura.

Treinos longos nessa faixa aumentam a densidade das mitocôndrias nas fibras musculares, melhorando a capacidade de sustentar esforços por mais tempo sem entrar em fadiga.

Para que serve: fundação aeróbica, treinos longos e o grosso do volume semanal de qualquer atleta de endurance. No triathlon, a maior parte da sessão de bike de longa duração e das corridas de base acontece aqui.

É também a zona que mais contribui para a melhora do VO2 máx no longo prazo, porque aumenta o volume cardíaco e a eficiência do sistema cardiovascular.

Exemplo de treino: corrida longa de 1 hora a 1 hora e meia em ritmo de conversa. Pedalada de 3 a 4 horas, mantendo a FC dentro da faixa.

Zona 3 — Aeróbico moderado

atleta em ritmo moderado, concentrado, em treino solo

Faixa: 70 a 80% da FCmáx

Como se sente: ritmo moderado, respiração mais forte. Você ainda consegue falar, mas já não dá para manter uma conversa normal sem interromper para respirar.

O que acontece no seu corpo: o organismo começa a usar mais carboidrato em relação à gordura. O acúmulo de lactato ainda é baixo e o músculo consegue compensar, mas a demanda metabólica já é maior do que nas zonas anteriores. O coração trabalha com mais intensidade e a frequência respiratória aumenta de forma perceptível.

Para que serve: desenvolvimento aeróbico geral e treinos de ritmo de prova para distâncias mais longas. Muitos atletas passam mais tempo do que deveriam na zona 3, porque ela parece produtiva o suficiente para não ser leve e ainda não é desconfortável o bastante para ser considerada pesada.

O problema é que ela gera fadiga sem o retorno de adaptação específico que as zonas 4 e 5 oferecem para velocidade, nem o retorno de base aeróbica que a zona 2 oferece para resistência.

Exemplo de treino: corrida de 45 a 60 minutos em pace de prova de meia maratona. Pedalada de 1h30 em ritmo de prova de 70.3.

Zona 4 — Limiar anaeróbico

atleta em esforço intenso, expressão de concentração forte, numa corrida ou treino intervalado

Faixa: 80 a 90% da FCmáx

Como se sente: ritmo rápido e desconfortável. A respiração está pesada e falar mais do que uma palavra ou duas ao mesmo tempo já não é possível. Você sente o esforço, mas consegue mantê-lo por um tempo.

O que acontece no seu corpo: essa é a zona do limiar anaeróbico, o ponto onde o acúmulo de lactato começa a superar a capacidade do músculo de removê-lo.

O organismo ainda é capaz de manter o esforço por alguns minutos, mas a fadiga acumula progressivamente. Treinar repetidamente nessa faixa empurra o limiar para cima com o tempo, ou seja, você passa a correr mais rápido antes de entrar no limite.

Para que serve: melhora direta do pace de prova para corridas de 5 a 10km, segmentos de ciclismo de alta intensidade e desenvolvimento de velocidade sustentada.

Exemplo de treino: séries de 8 repetições de 400m em pace forte, com 400m de recuperação entre as séries. No ciclismo, blocos de 4 a 8 minutos acima do limiar com descanso ativo.

Zona 5 — Potência máxima

atleta em sprint final, esforço máximo

Faixa: 90 a 100% da FCmáx

Como se sente: sprint, insustentável por muito tempo. A respiração é difícil, você não consegue falar e a sensação de queimação muscular é intensa. Esse nível de esforço dura no máximo alguns minutos.

O que acontece no seu corpo: na zona 5, o organismo opera acima do limiar anaeróbico. O acúmulo de lactato é rápido e o corpo não consegue compensar. As adaptações são específicas para potência, velocidade máxima e capacidade anaeróbica.

Para que serve: desenvolvimento de velocidade máxima, potência de sprint e recrutamento de fibras musculares de alta velocidade.

Exemplo de treino: Séries de hill sprints na corrida. No ciclismo, tiros de potência máxima de 20 a 30 segundos.

Como calcular sua FCmáx

Antes de configurar qualquer zona no Garmin, você precisa saber qual é a sua frequência cardíaca máxima. A fórmula mais simples e conhecida é:

FCmáx = 220 menos a sua idade

Para um atleta de 35 anos, a FCmáx estimada seria 185 bpm. Com esse número, as zonas ficam assim:

Zona

% FCmáx

Para 185 bpm

Zona 1

50–60%

93 a 111 bpm

Zona 2

60–70%

111 a 130 bpm

Zona 3

70–80%

130 a 148 bpm

Zona 4

80–90%

148 a 167 bpm

Zona 5

90–100%

167 a 185 bpm

❝

Nota sobre as fontes: os percentuais de cada zona apresentados neste guia são os mesmos usados pela Garmin em todos os relógios (confirmados nos manuais do Forerunner 265 e do Forerunner 570). A fórmula FCmáx = 220 menos a idade também consta nos próprios manuais Garmin como referência padrão.

Para aprofundar o tema, as referências científicas clássicas sobre zonas de treinamento incluem os trabalhos de Stephen Seiler sobre distribuição de intensidade em atletas de endurance, publicados no International Journal of Sports Physiology and Performance, e as diretrizes de treinamento aeróbico da American College of Sports Medicine (ACSM).

Um ponto importante: a fórmula 220 menos idade é uma estimativa. A FCmáx real varia de pessoa para pessoa, e alguns atletas têm valores bem diferentes do que a fórmula sugere.

A forma mais confiável de descobrir a sua FCmáx é fazendo um teste de esforço máximo, acompanhado por um profissional.

O Garmin também tem um recurso de detecção automática que tenta registrar sua FCmáx durante atividades intensas. Pode ser ativado através desse passo a passo:

Abra o Garmin Connect > Toque no seu relógio que fica no canto superior direito da tela > Perfil de Usuário > Zonas de FC e de potência > Detecção automática. Esse recurso funciona melhor quando você tem treinos de alta intensidade na rotina.

Como configurar as zonas no Garmin

O caminho ideal de configuração das zonas é através do aplicativo Garmin Connect, em vez de fazer pelo relógio, porque fica mais confortável de mexer, pela tela ser maior. Para isso, basta seguir esses passos aqui:

Abra o Garmin Connect > Toque no seu relógio que fica no canto superior direito da tela > Perfil de Usuário > Zonas de FC e de potência > Frequência cardíaca e siga com os ajustes.

Você pode ajustar também as suas zonas de potência no ciclismo, fazendo esses passos aqui:

Abra o Garmin Connect > Toque no seu relógio que fica no canto superior direito da tela > Perfil de Usuário > Zonas de FC e de potência > Potência > Ciclismo e siga com os ajustes.

Qual cinta usar para respeitar as zonas

O ponto de atenção aqui é o seguinte: o sensor óptico do relógio funciona bem em ritmo constante, mas tem limitações nos esforços de alta intensidade, especialmente nos treinos de zona 4 e zona 5.

Em séries rápidas, o sensor pode demorar para acompanhar as variações de FC em tempo real, o que significa que você pode terminar um intervalo antes de o relógio mostrar que você atingiu a zona desejada.

Para treinos de zona 1 e 2, o sensor do pulso é suficiente para a maioria das situações. Para zona 3 em diante, especialmente em treinos intervalados, uma cinta torácica muda a qualidade dos dados.

Falamos em detalhes sobre cada cinta da Garmin na edição #31 da TriboNews, com preços em três canais (Garmin Brasil, Mercado Livre e EUA). Se você ainda não leu, vale acessar antes de decidir qual cinta comprar.

Se quiser uma indicação rápida por objetivo de treino:

Treinos de zona 1 e 2 (base aeróbica): o sensor de pulso do relógio atende bem. Não é necessário cinta.

Treinos mistos, incluindo zona 3: o sensor de pulso já mostra alguns atrasos na resposta. A HRM-200 resolve bem para corrida e ciclismo nessa faixa.

Treinos de zona 4 e 5 (intervalados, séries de velocidade): aqui o passo a passo é claro: a HRM-Pro Plus ou a HRM-600 fazem a diferença. Além da precisão cardíaca em alta intensidade, elas transmitem dados de dinâmica de corrida como oscilação vertical e tempo de contato com o solo, o que acrescenta uma camada de informação muito útil para quem quer melhorar a eficiência de passada.

Além disso, a HRM-600 tem métricas exclusivas de corrida que a HRM-Pro Plus não possui, quando emparelhada com relógios mais recentes, a exemplo do FR970 ou Fênix 8.

Quer aproveitar ao máximo o seu Garmin?

Se depois de ler tudo isso você percebeu que nem sabia que esse recurso existia no seu relógio, ou que nunca configurou direito, a TriboTT pode te ajudar.

Na nossa consultoria 1 a 1, eu te mostro como extrair o melhor do seu Garmin, incluindo o Status de Treinamento, as métricas de corrida, as configurações ideais para o seu perfil e muito mais.

Além disso, conversaremos sobre os equipamentos ideais para o seu dia a dia de treino e assim vamos saber se o que você já tem é o suficiente ou se vale a pena adquirir algum outro equipamento.

Bora? Toque no botão abaixo ou responda este e-mail.

O que aconteceu na TriboTT?

Como ajustar zonas de frequência cardíaca no Garmin

Instagram post

Usar o iPhone para carregar o Garmin, será?

Instagram post

O Strava está dando uma mãozinha para o Apple Watch!

Instagram post

Como configurar os alertas no seu Garmin

Instagram post

Uma corrida de 12km para comparar: Apple Watch VS Garmin

Instagram post

Perdeu a edição anterior?

Chaaaaama!

Até a próxima edição.

Eduardo Dantas e Tatiana Oliveira

TriboTT - Tecnologia aliada ao esporte

Cupons da TriboTT

Use iQ - Vestuário de ciclismo e triatlo. 🏷 EDUDANTASIQUE (12%)

Foco Radical - Fotos e vídeos de treinos e provas pelo Brasil. 🏷 ESDANTAS (10%)

Produtos recomendados pela TriboTT

Montamos uma página com os produtos que usamos e indicamos de verdade — sem enrolação. Se estiver pesquisando algum equipamento novo, vale uma olhada antes de decidir.