
Julho de 2026 é um prato cheio para quem gosta de esporte. De um lado, a Copa do Mundo entra na reta final, com a grande decisão marcada para o dia 19. Do outro, a maior e mais famosa prova de ciclismo do planeta toma conta das estradas da Europa por três semanas seguidas.
Enquanto boa parte do mundo está de olho no futebol, eu vou te apresentar o outro grande espetáculo do mês, o Tour de France. Se você sempre ouviu falar dessa prova, mas nunca parou para entender direito o que acontece ali, essa edição foi feita para você.
A ideia aqui é simples. Você vai terminar esse texto sabendo quando o Tour de France 2026 começa (começou ontem), quantas etapas tem, o que é aquele tal de contrarrelógio, qual é o dia mais importante da prova e por que os ciclistas usam camisas de cores diferentes. E, de quebra, vai descobrir uma história de origem que quase ninguém conhece. Simbora?
Conteúdo da 57ª edição:
Como o Tour de France nasceu (a história por trás da prova);
Quando começa e quando termina o Tour de France 2026;
Por que é a prova mais aguardada do ano;
Quantas etapas tem a edição de 2026;
Os contrarrelógios (e quem já venceu a etapa 1);
A etapa rainha: Alpe d'Huez em dose dupla;
O que significam as cores das camisas;
O que aconteceu na TriboTT;
Cupons da TriboTT.
De onde veio o Tour de France (e por que ele existe)

Aqui vai a primeira surpresa. O Tour de France não nasceu do amor ao ciclismo. Ele nasceu de uma briga entre dois jornais.
No começo do século 20, existia na França um jornal esportivo chamado Le Vélo, que dominava as bancas. Um grupo de empresários brigou com o dono e resolveu criar um jornal rival, o L'Auto, para tentar tirar o concorrente do mercado. Só que o plano não estava dando certo. O L'Auto vendia pouco e precisava de uma ideia grande para virar o jogo.
Foi aí que, num almoço de emergência no fim de 1902, um jornalista jovem chamado Géo Lefèvre soltou uma ideia meio maluca: e se a gente organizasse uma corrida de bicicleta em volta de toda a França, mais longa que qualquer coisa que já se tinha feito? O editor Henri Desgrange comprou a ideia na hora.
A primeira largada aconteceu em 1º de julho de 1903, em um café nos arredores de Paris. Foram 60 participantes e a maioria nem era ciclista profissional. Tinha aventureiro, tinha desempregado, tinha gente atrás do dinheiro do prêmio. Eles encararam seis etapas gigantes, com média de mais de 400 quilômetros cada uma, boa parte pedalada de madrugada, na base do escuro. O vencedor foi Maurice Garin, um limpador de chaminés.
Deu certo demais. A venda do L'Auto explodiu durante a prova e aquilo que era uma jogada de marketing para salvar um jornal virou, com o tempo, o maior evento do ciclismo mundial. Mais de 120 anos depois, a prova continua de pé. Só ficou de fora nos anos das duas guerras mundiais.
Quando começa e quando termina o Tour de France 2026

A edição de 2026 é a 113ª da história. Ela vai de 4 a 26 de julho, três semanas de prova com dois dias de descanso no meio do caminho.
A largada, que os franceses chamam de Grand Départ, é em Barcelona, na Espanha. Sim, um evento com "France" no nome começando na Espanha. Faz parte de uma tradição da prova de começar de vez em quando fora da França para levar o espetáculo a novos públicos. Os primeiros três dias correm em solo catalão antes de a prova cruzar os Pirineus e entrar na França.
No total, são 3.333 quilômetros percorridos. A chegada é no dia 26 de julho, em Paris, com um final que passa pela região de Montmartre antes da tradicional reta da avenida Champs-Élysées.
Por que é a prova mais aguardada do ano

Se você acompanha ciclismo, já sabe a resposta, mas se está chegando agora, vale entender o tamanho da coisa.
O Tour é a prova mais antiga e mais prestigiada das três grandes voltas do ciclismo, ao lado do Giro d'Italia e da Vuelta a España (La Vuelta). Ganhar o Tour é o sonho de qualquer ciclista de estrada do planeta. É o equivalente a levantar a taça da Copa do Mundo no futebol.
Nesse ano de 2026, os holofotes estão em cima de Tadej Pogačar, da equipe UAE Team Emirates-XRG, o atual campeão, que já venceu a prova quatro vezes (em 2020, 2021, 2024 e 2025) e agora corre atrás do quinto título, o que o colocaria no seleto grupo dos maiores vencedores da história. O principal rival é Jonas Vingegaard, da equipe Visma-Lease a Bike, que já levou o Tour duas vezes.
E tem um detalhe que encanta quem descobre a prova. Assistir ao Tour na beira da estrada é de graça. Não existe ingresso e muito menos arquibancada. As pessoas se posicionam na subida das montanhas, esperam horas e veem os ciclistas passarem a centímetros de distância. É um dos maiores eventos esportivos gratuitos do mundo.
Quantas etapas tem o Tour de France 2026
São 21 etapas no total, cada uma disputada em um dia. Elas se dividem, de forma geral, em etapas planas (boas para os sprintistas), etapas de montanha (onde a prova costuma ser decidida) e os contrarrelógios, que já vou explicar.
A edição de 2026 é considerada uma das mais duras dos últimos tempos. São 8 etapas de montanha e um total impressionante de 54.450 metros de ganho de altimetria ao longo das três semanas, passando por cordilheiras como: Pirineus, Maciço Central, Jura, Vosges e Alpes. Para você ter uma ideia, isso é mais do que subir o Monte Everest três vezes seguidas.
O que são as etapas de contrarrelógio

Contrarrelógio é o nome que se dá para a etapa em que os ciclistas não largam todos juntos. Em vez de brigar corpo a corpo no pelotão, cada competidor (ou cada equipe) parte sozinho e corre contra o cronômetro. Vence quem fizer o percurso no menor tempo. É a prova mais pura de força e resistência.
O Tour 2026 tem apenas dois contrarrelógios, e os dois são especiais.
O primeiro é logo na etapa 1, em Barcelona: um contrarrelógio por equipes de 19,6 quilômetros. É a primeira vez desde 1971 que a prova abre com esse formato, em que os companheiros de equipe partem juntos e precisam trabalhar em conjunto.
E essa etapa já tem dono. A equipe Visma-Lease a Bike foi a mais rápida no relógio, e Jonas Vingegaard, justamente o principal rival do Pogačar, cruzou a linha na frente para vestir a primeira camisa amarela de 2026.
A UAE, equipe do Pogačar, terminou em terceiro, a 11 segundos de diferença, um começo apertado que já promete três semanas de briga boa. O segundo é a etapa 16, um contrarrelógio individual de cerca de 26 quilômetros às margens do Lago Léman, na fronteira com a Suíça.
Nos contrarrelógios, cada detalhe conta. Alguns segundos ganhos ali podem definir o campeão no fim das três semanas e é por isso que os ciclistas capricham tanto na aerodinâmica. A roupa aero que eles usam nesse dia não é frescura, ela economiza watts de verdade, e eu até já expliquei isso em detalhe por aqui:
Outro equipamento que faz diferença enorme na performance é o medidor de potência, assunto que a gente destrinchou nesta edição:
Se empolgou e quer começar a pedalar? A gente te ajuda a escolher certo
É quase impossível assistir ao Tour e não bater aquela vontade de tirar a bike da garagem ou, quem sabe, comprar a primeira. E é exatamente aí que muita gente erra a mão. Gasta demais no que não precisa, gasta de menos no que importa, e acaba desanimando antes mesmo de pegar o gosto pelo esporte.
Foi para resolver isso que existe a minha Consultoria 1a1. Ela é feita para quem está começando e quer montar o equipamento certo dentro do próprio orçamento. A gente conversa sobre o seu momento, o seu objetivo e o quanto você pode investir, e eu te ajudo a escolher o que realmente vale a pena para o seu caso. Tudo 100% online.
Um bom exemplo de onde começar é o ciclocomputador, que registra suas pedaladas, distância, velocidade e rotas, e te dá aquela sensação de acompanhar a própria evolução como os profissionais fazem.
A etapa rainha: Alpe d'Huez em dose dupla

Em toda edição do Tour existe a chamada etapa rainha, que é o dia mais difícil e, quase sempre, o mais decisivo da prova inteira. Em 2026, esse título vai para a etapa 20, no dia 25 de julho.
E que etapa. São 170,9 quilômetros com cerca de 5.600 metros de subida em um único dia, o que é considerado uma das maiores cargas de montanha já vistas na história do Tour. Os ciclistas encaram o Col de la Croix de Fer, o Col du Télégraphe e o Col du Galibier, que a 2.642 metros de altitude é o ponto mais alto de toda a prova. Depois ainda vem o Col de Sarenne antes da subida final.
E a subida final é a estrela de tudo. É o lendário Alpe d'Huez, com suas 21 curvas em ziguezague, um dos cenários mais famosos do esporte. A novidade histórica é que, em 2026, o Alpe d'Huez recebe a chegada de duas etapas seguidas, a 19 e a 20. É a primeira vez que uma mesma montanha vira linha de chegada em dias consecutivos na história da prova.
Tem um detalhe bonito que liga o presente ao passado. O primeiro ciclista a passar pelo ponto mais alto da prova, ali no Galibier, ganha um prêmio chamado Souvenir Henri Desgrange, uma homenagem justamente ao editor de jornal que topou a ideia maluca lá em 1903.
O que significam as cores das camisas

Se você já bateu o olho em uma transmissão e ficou perdido com tanta camisa colorida, aqui vai o mapa. São quatro cores principais e cada uma conta uma história.
A camisa amarela é a mais importante. Ela é usada pelo líder da classificação geral, ou seja, quem tem o menor tempo somado até ali. O grande objetivo de todos é vestir a amarela na chegada em Paris. Curiosidade: ela só apareceu em 1919 e a cor foi escolhida porque o jornal L'Auto era impresso em papel amarelo. Marketing de novo.
A camisa verde é a do melhor sprintista, ou seja, quem soma mais pontos nas chegadas e nos sprints ao longo do percurso. Ela nasceu em 1953, na comemoração dos 50 anos da prova, e a cor veio do patrocinador da época.
A camisa branca com bolinhas vermelhas é a mais divertida de olhar. Ela é do melhor escalador, o chamado Rei da Montanha, quem pontua mais nas subidas categorizadas. A camisa surgiu em 1975 e as bolinhas foram inspiradas na embalagem de um chocolate que patrocinava a prova.
A camisa branca fecha o quarteto. Ela é do melhor jovem, o ciclista de até 26 anos mais bem colocado na classificação geral. Também apareceu em 1975 e costuma revelar as futuras estrelas do esporte.
O que aconteceu na TriboTT?
Perdeu a edição anterior?
Chaaaaama!
Até a próxima edição.
Eduardo Dantas e Tatiana Oliveira
TriboTT - Tecnologia aliada ao esporte
O que você achou desta edição da Tribo News?
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