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Hoje é dia de Maratona de Berlim, uma das provas mais rápidas do calendário mundial. As marcas de tênis sabem muito bem disso. Nos últimos dias, Adidas, Nike e Mizuno escolheram justamente essa semana para mostrar os seus novos modelos de corrida com placa de carbono.

Para completar, a Coros lançou na terça-feira o Pace 4 Pro, que chega para encarar o Forerunner 970 da Garmin custando bem menos.

Por isso, a edição de hoje é mais uma rodada de notícias, com um relógio novo, a comparação com o rival dele e três tênis.

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Conteúdo da 69ª edição:

  1. Coros Pace 4 Pro: o que mudou em relação ao Pace 4;

  2. Pace 4 Pro x Forerunner 970: onde está a diferença de preço;

  3. Adidas Adios Pro 5: a tecnologia do recorde chega ao modelo de linha;

  4. Nike Alphafly 4: a Nike refez o tênis inteiro;

  5. Mizuno Hyperwarp 96: o tênis de 96 gramas;

  6. Afinal, qual relógio escolher;

  7. O que aconteceu na TriboTT;

  8. Cupons da TriboTT.

Coros Pace 4 Pro: o que mudou em relação ao Pace 4

A Coros apresentou o Pace 4 Pro no dia 22 de setembro, com preço de US$ 449 nos Estados Unidos. Ele não substitui o Pace 4, que continua à venda. A proposta é oferecer uma versão com materiais que antes ficavam reservados aos modelos mais caros da marca.

Na edição passada, contei que o Pace 4 ganhou mapas em beta, mas com apenas 4 GB de armazenamento e um mapa que funciona só como fundo para o percurso. O Pace 4 Pro resolve boa parte disso.

Tela maior e mais brilhante. São 1,47 polegada de AMOLED, com resolução de 466 x 466 pixels e brilho máximo de 3.500 nits. É a maior e a mais brilhante tela que a Coros já fez, 22,5% maior que a do Pace 4.

Titânio e safira. A borda agora é de titânio TC4 e o vidro é de safira, material bem mais resistente a riscos. O Pace 4 usa borda de polímero e vidro mineral. Mesmo com essas mudanças, o relógio pesa 43 gramas com a pulseira de nylon, segundo a Coros.

Bateria. A marca promete até 60 horas de GPS e até 21 dias de uso diário, cerca de 50% a mais que o Pace 4. No próprio site, a Coros simula um Ironman completo, com 3,8 km de natação, 180 km de pedal e 42 km de corrida, terminado em 11h48 com 73% de bateria restante. É um cenário ilustrativo da fabricante, mas mostra que prova longa não é um problema para esse relógio.

Mapas completos. São 32 GB de armazenamento, com nomes de ruas e trilhas, curvas de nível, pontos de interesse, navegação curva a curva e retorno ao ponto de partida. A Coros também dobrou a memória RAM para o mapa responder mais rápido.

Alto-falante e microfone. O relógio fala os alertas de ritmo, distância e frequência cardíaca, atende ligações com o celular pareado e grava notas de voz no meio do treino, salvas com a localização do GPS.

Completam o pacote o novo sensor óptico, oxímetro, ECG, termômetro e o modo triathlon dedicado.

O que o Pace 4 Pro não faz

As principais limitações, apontadas pelo the5krunner, são estas:

  • não recalcula a rota no relógio se você sair do trajeto;

  • não tem pagamento por aproximação;

  • não faz streaming de música, apesar de aceitar arquivos baixados para ouvir com fone Bluetooth;

  • conecta sensores somente por Bluetooth, sem ANT+.

Esse último ponto merece atenção de quem pedala. Se o seu medidor de potência ou sensor da bike só se conecta por ANT+, ele não vai conversar com o Pace 4 Pro. Confira no manual do equipamento antes de decidir.

Pace 4 Pro x Forerunner 970: onde está a diferença de preço

O Forerunner 970 é o relógio de corrida e triathlon mais completo da linha Forerunner. Ele foi lançado em maio de 2025 com preço sugerido de US$ 749,99, ou seja, US$ 300 a mais que o Pace 4 Pro.

A primeira surpresa é que, no acabamento, os dois empataram: o Forerunner 970 também tem borda de titânio e vidro de safira. Os dois têm tela AMOLED, mapas com navegação curva a curva, alto-falante, microfone e 32 GB.

A tela do Coros é um pouco maior, com 1,47 polegada contra 1,4 polegada. Na bateria, a diferença é grande. Com GPS simples, o Forerunner 970 chega a até 26 horas, contra até 60 horas do Pace 4 Pro. No uso diário, são até 15 dias no Garmin e até 21 dias no Coros.

Até aqui, o Coros parece levar vantagem em quase tudo. Os US$ 300 a mais do Garmin estão em recursos que não aparecem na ficha técnica resumida. É justamente neles que a escolha se decide.

Afinal, qual relógio escolher

Voltando aos relógios, esta é a comparação lado a lado.

Coros Pace 4 Pro

Garmin Forerunner 970

Preço de lançamento (EUA)

US$ 449

US$ 749,99

Tela

AMOLED de 1,47" (466 x 466)

AMOLED de 1,4" (454 x 454)

Borda e vidro

Titânio e safira

Titânio e safira

Bateria no uso diário

Até 21 dias

Até 15 dias

Bateria com GPS simples

Até 60 horas

Até 26 horas

Armazenamento

32 GB

32 GB

Mapas com navegação curva a curva

Sim

Sim

Pagamento por aproximação

Não

Sim (Garmin Pay)

Conexão com sensores

Bluetooth

Bluetooth e ANT+

O que o Forerunner 970 entrega a mais pelos US$ 300 de diferença:

  • Tolerância de Corrida: mostra o impacto de cada corrida no corpo e recomenda uma quilometragem semanal máxima para você evoluir sem exagerar;

  • Economia de Corrida e Perda de Velocidade por Passo: métricas que medem a eficiência da sua corrida, disponíveis com a cinta HRM 600, vendida separadamente;

  • Garmin Triathlon Coach: planos de treino de triathlon gratuitos, que se ajustam todos os dias conforme o seu desempenho e a sua recuperação;

  • Rotas de ida e volta: você informa a distância e o relógio sugere o trajeto;

  • ECG com detecção de fibrilação atrial e lanterna de LED dedicada, além do Garmin Pay e dos sensores ANT+.

Se você quer entender melhor a cinta, falamos dela na edição 52. E o passo a passo do ECG está na edição 51.

Forerunner 970 vs 965: Qual Garmin escolher?

Qual é melhor: Forerunner 970 ou 965? Análise completa de design, bateria, treino e se vale o upgrade do relógio Garmin.

Para quem é o Coros Pace 4 Pro

É para quem coloca bateria e tela no topo da lista, treina para provas longas sem se preocupar com carregador, não depende de sensores ANT+ nem de pagar compras com o relógio e prefere guardar os US$ 300.

Para quem é o Garmin Forerunner 970

É para quem já usa o ecossistema Garmin, com ciclocomputador Edge ou medidor de potência ANT+, quer métricas de corrida mais profundas e gosta de planos que se adaptam à recuperação.

Se você está pensando no Fênix 9 Pro, ele está em outra faixa de preço, com proposta voltada para aventura. Explicamos tudo na edição 65.

Adidas Adios Pro 5: a tecnologia do recorde chega ao modelo de linha

Em abril, na Maratona de Londres, Sabastian Sawe se tornou o primeiro atleta a correr uma maratona oficial abaixo de duas horas, com 1h59min30s, usando o Adios Pro Evo 3, um tênis de produção limitada que custa US$ 500.

No dia 22 de setembro, a Adidas lançou o Adios Pro 5, que leva parte dessa tecnologia para o modelo vendido normalmente em loja, por US$ 275.

A grande mudança está no carbono. Desde o primeiro Adios Pro, de 2020, a Adidas usava os ENERGYRODS, hastes de carbono posicionadas na linha dos ossos do pé. No Pro 5, elas deram lugar ao ENERGYRIM, um aro com fibra de carbono que contorna a lateral da entressola. Com o carbono na borda, sobrou mais espaço para a espuma Lightstrike Pro logo abaixo do pé.

Segundo a Adidas, o resultado é este:

  • 177 gramas em média, 23 gramas (12%) a menos que o Adios Pro 4;

  • 9% mais retorno de energia que o antecessor;

  • 39 mm de altura no calcanhar e 35 mm na frente, com drop de 4 mm, contra 6 mm do Pro 4.

Na avaliação do Doctors of Running, o tênis ficou mais macio no meio do pé, funciona muito bem em ritmo de meia maratona e maratona e perde um pouco de agressividade em provas curtas. O revisor também achou a palmilha um pouco escorregadia.

Nike Alphafly 4: a Nike refez o tênis inteiro

A Nike lançou o Alphafly 4 no dia 17 de setembro, em quantidade limitada no site dela. A venda ampla, com lojas parceiras, começa em 29 de outubro. No site oficial americano, o preço é US$ 280.

Segundo a Nike, todas as peças principais foram revistas:

  • ZoomX LT: espuma nova, até 17% mais leve que a ZoomX padrão e com 8% mais retorno de energia, usada junto com a ZoomX tradicional;

  • Air Zoom: as duas cápsulas de ar da parte da frente foram atualizadas pela primeira vez na história do Alphafly, com a promessa de uma pisada mais macia e mais silenciosa;

  • Flyplate: a placa de fibra de carbono continua;

  • Atomknit: cabedal novo, sem costuras, com cabos de ajuste no meio do pé;

  • Fast Shot: solado novo, focado em tração.

No conjunto, a marca fala em 10% mais retorno de energia e 5% menos peso que o Alphafly 3. O site da Nike informa 208 gramas no tamanho masculino UK 9 e drop de 8 mm, com indicação para meia maratona e maratona.

O detalhe mais interessante está no discurso. A Nike diz que o Alphafly 4 foi feito para maratonistas de todos os níveis, não apenas para a elite que briga por pódio. É uma mudança importante para um tênis que nasceu no projeto Breaking2, de Eliud Kipchoge.

Mizuno Hyperwarp 96: o tênis de 96 gramas

A Mizuno apresentou nesta semana o Hyperwarp 96, que estreia neste fim de semana em Berlim. O nome vem do peso: cerca de 96 gramas no tamanho 27 cm, equivalente ao US 9. Segundo a Marathon Handbook, isso deixa o tênis um grama abaixo do número que a Adidas divulga para o Adios Pro Evo 3, o tênis do recorde de Londres.

Para ter um exemplo do tamanho do corte, o Hyperwarp Pure, que até agora era o modelo mais leve da própria Mizuno, pesa 137 gramas no mesmo tamanho.

O que mais me chamou atenção foi como a Mizuno chegou a esse número:

  • Espuma Enerzy XP+: criada para esse tênis, com material retirado das áreas que não participam da pisada;

  • Altura: mesmo assim, são 39 mm no calcanhar e 36 mm na frente, com drop de 3 mm;

  • Smooth Speed Plate: placa de carbono inteira e tridimensional;

  • Cabedal sem cadarço: aplicado por spray, com densidades diferentes na parte de baixo e na parte de cima do pé.

Agora a parte menos animadora. A própria Mizuno trata o Hyperwarp 96 como um modelo conceito. Serão apenas 696 pares no mundo inteiro, cada um com número de série e caixa especial. As vendas começam em 4 de dezembro pela loja online e pelas lojas da marca. Algumas lojas de corrida recebem pares a partir de janeiro de 2027. A Mizuno ainda não divulgou preço em dólar. No Japão, ele custa 88 mil ienes.

A tecnologia dos recordes está chegando mais rápido ao corredor amador. Um tênis desses ajuda a segurar o ritmo no fim da prova, mas só na força não vai não. Nenhum deles substitui um bom ciclo de treino.

Perdeu a edição anterior?

Chaaaaama!

Até a próxima edição.

Eduardo Dantas e Tatiana Oliveira

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