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Uma seguidora deixou uma pergunta bem direta no perfil da Garmin no Instagram: o Forerunner 170 é basicamente o mesmo relógio que o 265?

A Garmin respondeu que existem alguns recursos novos no 70 e no 170 e se ofereceu para mandar uma tabela comparativa por mensagem privada.

A resposta é verdadeira. Existem sim recursos novos nos dois modelos. O problema é o que ela deixa de fora, porque quem lê aquilo entende que o 170 é um 265 com alguns extras, quando não é. O 170 tem algumas coisas a mais e outras coisas a menos.

Os dois relógios (FR70 e FR170) acabaram de chegar oficialmente aqui no Brasil, então, como imagino que essa dúvida vai aparecer muito nas próximas semanas, vamos resolver logo!

Conteúdo da 64ª edição:

  1. O buraco no meio da linha Forerunner;

  2. O que a resposta da Garmin não contou;

  3. O Forerunner 170 faz o papel do 265?;

  4. Qual dos dois comprar (e por quanto);

  5. O que aconteceu na TriboTT;

  6. Cupons da TriboTT.

1. O buraco no meio da linha Forerunner

A linha Forerunner hoje tem quatro modelos: 70, 170, 570 e 970. Todos com tela AMOLED.

Repare no que aconteceu com cada um deles nos últimos dois anos. O Forerunner 70 chegou para substituir o 55. O 170 chegou para substituir o 165. O 970 substituiu o 965. O 570 é o modelo que veio ocupar o lugar do 265.

Percebeu o detalhe? Não existe Forerunner 270. E não é distração da Garmin. O gerente de produto da marca já explicou publicamente que o modelo foi batizado de 570 justamente porque o salto de recursos e de materiais em relação ao 265 era grande demais para um número incremental.

Até faz sentido no papel, mas o problema aparece no preço…

O 265 foi lançado nos Estados Unidos por 449 dólares. O 570, que ocupa o lugar dele, chegou por 549 dólares. Do outro lado, o 170 desceu para a faixa dos 299 dólares na versão simples e 349 na versão Music. O resultado é que abriu um vão no meio da linha, que era ocupado pelo 265.

Inclusive, nos Estados Unidos, o Forerunner 265 saiu dos 449 dólares e hoje está sendo vendido por 349 dólares, ou seja, o mesmo preço do Forerunner 170 Music, sendo que só um dos dois tem multiesporte.

2. O que a resposta da Garmin não contou

Aqui está a lista que não coube no comentário do Instagram.

Triatlo e multiesporte não existem no 170. Essa é a ausência mais pesada da lista toda. O manual oficial do Forerunner 170 lista as atividades do relógio em onze categorias e nenhuma delas é multiesporte.

Não tem triatlo, não tem duatlo, não tem brick, não tem swimrun. Você consegue registrar uma natação, depois uma pedalada, depois uma corrida, mas serão três atividades separadas, salvas uma a uma, com você mexendo no relógio no meio da prova.

Então já vou deixar aqui logo registrado: Se você treina os três esportes ou pretende começar, o 170 simplesmente não é uma opção.

GPS multibanda e SatIQ ficaram de fora. O 265 usa GPS de banda dupla e escolhe sozinho o melhor modo de satélite para cada situação. O 170 usa banda simples. Em campo aberto os dois vão bem. A diferença aparece quando você corre no meio de prédios altos ou dentro de mata fechada, que é justamente onde o traçado costuma ficar irregular e bagunçar o pace.

Métricas de treino que sumiram. Condição de desempenho, limiar de lactato, velocidade crítica de natação, alertas de ritmo na piscina e parceiro virtual. Todas presentes no 265, estão ausentes no 170.

E as diferenças de hardware. A tela do 265 é de 1,3 polegada com 416 por 416 pixels, contra 1,2 polegada e 390 por 390 no 170. A lente do 265 é Gorilla Glass 3, a do 170 é vidro quimicamente reforçado. A memória cai de 8 GB para 4 GB. A bateria vai de até 13 dias no 265 para até 10 dias no 170.

Aqui agora vale deixar claro o seguinte: nenhum desses itens sozinho elimina a compra do 170, mas eles deixam claro que é um relógio de categoria diferente. É aí que a resposta do Instagram pode atrapalhar muita gente, especialmente quem quer treinar ou treina triatlo.

Se você já está pensando em adquirir algum desses dois relógios, eles estão disponíveis aqui: GARMIN FORERUNNER 265 MUSIC e GARMIN FORERUNNER 170.

Para relembrar tudo o que a Garmin anunciou quando esses dois modelos (FR70 e FR170) foram apresentados, a gente destrinchou o lançamento por aqui:

3. O Forerunner 170 faz o papel do 265?

Agora vamos ser justos com o 170, porque ele realmente ganhou funcionalidades.

O 170 tem alarme Smart Wake, que acorda você no momento mais leve do sono dentro de uma janela definida. Tem relatório noturno, que mostra à noite o que te espera no dia seguinte. Tem registro do estilo de vida, Status de Saúde, Garmin Fitness Coach e treino rápido.

Tem um modo de economia de bateria que estica o relógio para até 19 dias. É mais leve, 41 gramas contra 47 do 265 e cabe em pulsos mais finos, o que resolve a vida de muita gente que reclama de relógio grande demais.

A lista de perfis esportivos também cresceu bastante. O 170 traz ciclismo de estrada, gravel, cicloturismo, cyclocross e bike no trajeto para o trabalho, além de montanhismo, rucking, caiaque, snorkel, patinação no gelo e corrida de obstáculos. O 265 não tem nada disso.

Percebeu algum padrão nessas novidades? Tudo o que o 170 ganhou acontece fora do treino. São recursos de rotina, de sono, de vida diária e de variedade de esporte. Tudo o que ele perdeu acontece dentro do treino.

O 170 não é uma versão nova do 265. Ele é uma versão nova do 165 e cumpre esse papel muito bem, com um pacote de saúde que há dois anos só existia em relógio caro.

A Garmin passou a colocar a parte de bem-estar até nos modelos mais baratos, enquanto guarda a parte de desempenho para os modelos de cima.

Então a resposta para a pergunta da seguidora que deu origem a essa edição é “depende”. O 170 não substitui o 265, a não ser que você não treine triatlo e prefira o que o 170 ganhou, em vez do que perdeu.

4. Qual dos dois comprar (e por quanto)

Antes dos cenários, a conta completa em uma tabela só. Preços conferidos na loja oficial da Garmin Brasil em 21 de agosto de 2026:

Recurso

Forerunner 170

Forerunner 170 Music

Forerunner 265 Music

Preço oficial

R$ 3.149,00

R$ 3.549,00

R$ 4.499,00

Triatlo, duatlo, brick e swimrun

Não tem

Não tem

Tem

GPS de banda dupla e SatIQ

Não tem

Não tem

Tem

Música no relógio

Não tem

Tem, 4 GB

Tem, 8 GB

Tela

1,2 pol com 390 x 390

1,2 pol com 390 x 390

1,3 pol com 416 x 416

Lente

Vidro reforçado

Vidro reforçado

Gorilla Glass 3

Bateria em modo relógio

Até 10 dias

Até 10 dias

Até 13 dias

Peso

41 g

41 g

47 g

Condição de desempenho e limiar de lactato

Não tem

Não tem

Tem

Velocidade crítica de natação

Não tem

Não tem

Tem

Alarme Smart Wake e relatório noturno

Tem

Tem

Não tem

Status de Saúde e registro do estilo de vida

Tem

Tem

Não tem

Perfis de estrada, gravel, cicloturismo e cyclocross

Tem

Tem

Não tem

Repare como a tabela se divide sozinha em dois blocos. De cima até a velocidade crítica de natação, tudo o que aparece é treino e prova. Nesse pedaço o 265 vence em todas as linhas. Da linha do Smart Wake para baixo é rotina, sono e variedade de esporte. Aí o 170 vence.

Você treina corrida, não faz triatlo e quer um relógio mais novo? O 170 é a escolha. Você vai ter treino sugerido diário, Status de VFC, Body Battery e dinâmica de corrida, que é praticamente tudo o que um corredor de rua usa no dia a dia. A versão Music só vale se você corre sem celular no bolso.

Você faz triatlo ou pretende começar? Nem considere o 170. A escolha deve ser feita entre o 265 e o 570. O 265 entrega triatlo, duatlo, brick e swimrun com troca manual de esporte no botão. O 570 entrega tudo isso com o Garmin Triathlon Coach por cima. Se o 265 estiver com bom desconto, ele é a compra mais inteligente da linha hoje.

Você treina em cidade grande ou em trilha fechada. Vá de 265 ou acima, por causa do GPS de banda dupla. Ritmo errado em treino intervalado estraga a sessão inteira e essa é a diferença que mais aparece no dia a dia.

Você corre pouco e usa o relógio o dia todo. Aí o 170 ganha com folga. Bateria mais esticada, corpo mais leve, relatório noturno, Status de Saúde e uma lista de esportes que cobre academia, caminhada e bike sem drama.

Você já tem um 265 no pulso. Não troque por um 170. Você vai pagar para perder recurso. Se quiser evoluir de verdade, o caminho é o 570 ou o 970.

Sobre a troca manual de esporte no meio da prova, a gente já explicou o passo a passo completo aqui:

E se a sua dúvida é montar o setup de triatlo sem errar, tem essa também:

Perdeu a edição anterior?

Chaaaaama!

Até a próxima edição.

Eduardo Dantas e Tatiana Oliveira

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